A aldeia de Vlkolinec, localizada na Eslováquia central, está no centro de um debate sobre seu status na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, com moradores expressando preocupações sobre os efeitos do turismo excessivo na comunidade. Embora a narrativa inicial sugira que a aldeia deseja ser removida da lista, a questão é mais complexa e envolve a proteção da vida cotidiana dos residentes.

Pressões do turismo e a vida comunitária

Anton Sabucha, de 68 anos, um dos poucos moradores que ainda habitam Vlkolinec, destacou que os visitantes que chegam com respeito são sempre bem-vindos. “Aqueles que vêm com humildade, para admirar a aldeia e entender como as pessoas viveram aqui, são sempre bem-vindos”, afirmou. No entanto, ele expressou frustração com a invasão de turistas que não respeitam a privacidade dos residentes. Atualmente, apenas 17 pessoas permanecem na aldeia durante todo o ano, em contraste com cerca de 200 habitantes no passado.

A aldeia foi designada como Reserva de Patrimônio da Arquitetura Popular em 1977 e, em 1993, foi inscrita na lista da UNESCO, segundo Sabucha, essa inclusão acelerou a transformação da aldeia em um destino turístico, fazendo com que muitos visitantes esquecessem que ainda existem moradores nas casas de madeira centenárias.

Desafios e soluções propostas

Sabucha mencionou que a receita gerada pelo turismo, que gira em torno de 400 euros por ano para cada residente, é insuficiente para cobrir as necessidades básicas, como aquecimento no inverno. Ele argumentou que, para os turistas, as casas são apenas construções, enquanto para os residentes, cada uma delas representa a história de uma vida.

Por outro lado, Justine, uma visitante da França, reconheceu a singularidade de Vlkolinec, destacando que a presença de moradores faz a aldeia ser diferente de outros locais que se tornaram museus. Ela compreendeu a frustração dos residentes, mas também ressaltou que o turismo pode apoiar a região.

Miro Parobek, responsável pelo turismo da cidade de Ruzomberok, que administra Vlkolinec, argumentou que a solução para os problemas do turismo não é a remoção da aldeia da lista da UNESCO, mas sim uma gestão mais eficiente. Ele enfatizou a importância de preservar a arquitetura tradicional e apoiar os moradores. Para atender às demandas da comunidade, a cidade já substituiu grandes festivais por eventos culturais menores e estabeleceu um grupo de trabalho para facilitar o diálogo entre moradores e autoridades locais.

Parobek também mencionou medidas em andamento para reduzir a pressão turística, como a busca de financiamento norueguês para melhorar a infraestrutura da aldeia e criar novas oportunidades de trabalho para os residentes.

Desafios para a remoção da lista da UNESCO

Embora Sabucha deseje a remoção de Vlkolinec da lista da UNESCO, essa tarefa é considerada quase impossível. Desde a criação do programa, apenas três locais foram removidos devido à perda irreversível das características que justificaram sua inscrição. Não há precedentes de uma comunidade solicitando a remoção voluntária, e não há indícios de que Vlkolinec se tornará a primeira a conseguir tal solicitação.