O acordo de livre comércio (ALC) entre Índia e Reino Unido, que entrou em vigor na quarta-feira, 18 de outubro, pode trazer importantes mudanças para o comércio bilateral, beneficiando tanto consumidores quanto empresas. A Welspun Living, empresa indiana que fornece toalhas para o torneio de Wimbledon, está se preparando para aproveitar as oportunidades que o novo tratado oferece.

A Welspun Living, uma das maiores fabricantes de têxteis do lar na Índia, já fornece produtos como lençóis e toalhas para grandes varejistas britânicos, incluindo John Lewis e Tesco. Segundo Dipali Goenka, CEO da empresa, o acordo permitirá que a empresa planeje negócios a longo prazo com clientes do Reino Unido, algo que anteriormente era feito apenas com clientes dos Estados Unidos.

Impactos do Acordo no Comércio Bilateral

O ALC elimina ou reduz tarifas sobre 99% das exportações indianas para o Reino Unido e 90% das importações britânicas para a Índia. O governo britânico considera este tratado como o mais significativo desde a saída da União Europeia, prevendo um aumento do PIB do Reino Unido em 0,13%, o que equivale a cerca de £4,8 bilhões (US$ 6,4 bilhões), e da Índia em 0,06%, ou £5,1 bilhões por ano a longo prazo.

Setores que empregam grande quantidade de mão de obra, como têxteis, vestuário e produtos do mar, estão apostando no crescimento impulsionado pelo acordo. Goenka acredita que as exportações da Índia para o Reino Unido crescerão em dígitos duplos, destacando a desvantagem anterior do país em relação a concorrentes como Bangladesh e Paquistão, que já tinham acesso ao mercado britânico sem tarifas.

Desafios e Oportunidades no Novo Cenário Comercial

Embora o potencial de crescimento seja significativo, especialistas alertam que o impacto do ALC pode ser mais incremental do que transformacional. Dados da Global Trade Research Initiative (GTRI) mostram que mais da metade das exportações indianas para o Reino Unido já entraram no país sem tarifas, o que levanta questões sobre a eficácia do novo acordo.

Ajay Srivastava, da GTRI, enfatiza que o verdadeiro teste será se produtos que antes enfrentavam tarifas de 4% a 16% vejam aumento em pedidos de exportação e margens de lucro. Além disso, ele aponta que desafios como a manutenção de tarifas sobre importações de aço e a proposta de imposto sobre carbono no Reino Unido podem limitar os benefícios do ALC.

Apesar disso, a Índia encontra uma oportunidade favorável, especialmente em setores como vestuário pronto para uso, onde a participação de mercado no Reino Unido pode dobrar nos próximos anos. Segundo a CareEdge Research, o comércio bilateral pode crescer 15% ao ano, superando a taxa atual de 10-12%, proporcionando aos consumidores uma oferta mais ampla e de melhor qualidade.