Mary Porter, residente de longa data em Manhattan, ficou surpreendida ao encontrar um pote de manteiga de amêndoa por US$ 4, enquanto o mesmo produto custa US$ 22 em sua vizinhança. "Aldi tem a reputação de ser barato, então eu pensei em conferir, e é incrível", afirmou Porter, de 79 anos, ao BBC, enquanto enchia seu carrinho com espinafre fresco e framboesas orgânicas.
O novo ponto de venda da Aldi está localizado em um estacionamento subterrâneo sob The Ellery, um complexo de apartamentos de luxo onde os aluguéis começam em quase US$ 5.000 por mês. O site do edifício não menciona a rede de supermercados de desconto, preferindo destacar opções mais caras, como Whole Foods e Brooklyn Fare.
Expansão agressiva em Manhattan
Apesar da localização discreta, a loja atrai um grande público. Mesmo em uma tarde de terça-feira em julho, o espaço iluminado e movimentado estava cheio de nova-iorquinos que navegavam pelas estreitas passagens com sacolas de canvas. Esta descoberta de Porter faz parte do plano de expansão de US$ 9 bilhões da Aldi nos Estados Unidos, que inclui a abertura de 800 novas lojas em cinco anos, com foco em centros urbanos densos como Manhattan.
A Aldi, que entrou no mercado americano em 1976, já possui quase 2.800 lojas e está se distanciando da sua imagem tradicional de supermercados em shoppings suburbanos. A movimentação agressiva de mercado da Aldi é vista com preocupação pelos supermercados estabelecidos nos EUA, especialmente após seu sucesso no Reino Unido desde os anos 1990, onde se tornou a quarta maior rede, com 10,8% de participação de mercado.
Capturando novos consumidores
Embora a Aldi ainda detenha apenas 2,9% do mercado de supermercados dos EUA, enquanto a Walmart tem cerca de 20%, analistas indicam que a estratégia da Aldi de permanecer menor é vantajosa. Dados da Placer.ai mostram que a Aldi está atraindo consumidores de classes média e alta, com rendas familiares entre US$ 75.000 e US$ 125.000. A inflação persistente fez com que essas famílias buscassem alternativas mais econômicas.
Kelvin Dozier, que normalmente faz compras em uma Aldi no Brooklyn, começou a frequentar a nova loja em Manhattan pela conveniência. "É mais iluminada", disse ele, enquanto selecionava laranjas. No entanto, conquistar clientes urbanos acostumados a marcas premium continua sendo um desafio. Ralph Montenegro, que visitou a Aldi pela primeira vez, elogiou os preços, mas ainda prefere a Trader Joe's, citando a dependência da Aldi em produtos processados de marca própria como um ponto negativo.
O modelo de negócios da Aldi, focado em eficiência e custos baixos, oferece cerca de 80% do que um grande varejista tradicional oferece, mas a um custo muito menor. No entanto, analistas como Jerry Sheldon alertam que competir diretamente com a Walmart é quase impossível devido à imensa diferença de investimentos e recursos entre as duas empresas.
Para consumidores como Mary Porter, a competição entre as redes de supermercados é menos importante do que a economia imediata em suas compras. "Eu pego o metrô com minha grande sacola e volto para casa com minhas compras baratas. Estou tão feliz. Isso é incrível", concluiu Porter.
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