Anápolis, em Goiás, comemorou seus 119 anos de fundação com uma narrativa que remonta a uma promessa religiosa feita por uma tropeira à padroeira Sant’Ana. A cidade, que se tornou um importante centro econômico do estado, tem suas origens ligadas a uma história de fé e devoção, distinta da maioria dos municípios goianos que surgiram durante o ciclo do ouro.
O relato de Dona Ana das Dores
De acordo com um estudo publicado por pesquisadores da PUC Goiás, a origem do município está intimamente relacionada à figura de Dona Ana das Dores, uma tropeira que viajava entre Jaraguá e Bonfim, atualmente Silvânia, acompanhada de seu filho, Gomes de Souza Ramos. Durante uma parada na localidade conhecida como Antas, uma de suas mulas desapareceu.
Quando o animal foi encontrado, próximo ao local onde hoje se ergue a Catedral de Sant’Ana, ele se recusou a continuar a viagem. Entre os pertences que Dona Ana transportava estava uma imagem da santa esculpida em madeira. A tropeira interpretou o ocorrido como um sinal divino e fez uma promessa: se conseguisse concluir a viagem, doaria a imagem à primeira capela que fosse construída naquele local.
A construção da identidade de Anápolis
Embora já houvesse moradores na região desde o início do século XIX, conforme registrado pelo naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, os pesquisadores sustentam que a edificação da capela dedicada a Sant’Ana foi crucial para o desenvolvimento do núcleo urbano. As obras da igreja tiveram início em 1871 e, em 1873, o povoado foi elevado à condição de Freguesia de Santana das Antas.
Em 1887, Anápolis foi elevada à categoria de Vila e, oficialmente, passou a ser denominada Anápolis em 31 de julho de 1907. A história de Dona Ana das Dores, segundo os autores do estudo, representa um mito fundador, um conceito que explica como narrativas ajudam a moldar a identidade de uma comunidade.
A memória desse relato é revivida anualmente durante a Festa de Sant’Ana, que ocorre em julho. O evento, que começou com novenas em fazendas, transformou-se em uma das maiores celebrações religiosas e culturais da cidade, reunindo missas, quermesses, leilões e milhares de fiéis. A devoção à padroeira Sant’Ana, mais de um século após a emancipação política de Anápolis, continua a ser um dos principais símbolos da identidade cultural do município.
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