O Boys’ Club de Nova York (BCNY) se destaca como um modelo de apoio à saúde mental de meninos, oferecendo um ambiente acolhedor e oportunidades de amizade. A organização, com 150 anos de história, atende cerca de 2.500 jovens, muitos dos quais vêm de contextos socioeconômicos desfavorecidos.

Em uma interação com uma repórter, Avita Bansee, diretora de comunicações do BCNY, expressou dúvidas sobre a busca por relatos de crise entre os membros. No entanto, a repórter insistiu e, ao entrevistar alguns jovens, percebeu que a realidade era diferente do que esperava. Ao invés de um ambiente de crise, encontrou um espaço vibrante, onde os meninos realizam atividades diversas, como lição de casa, esportes e música.

Um refúgio em tempos de crise

A crescente preocupação com a saúde mental de meninos, que enfrentam desafios significativos em desempenho acadêmico e identidade, torna o trabalho do BCNY ainda mais relevante. Segundo Bansee, a essência do clube reside na oportunidade de os meninos formarem laços profundos e significativos. “A verdadeira mágica do Boys’ Club é o senso de pertencimento e as amizades”, afirmou.

A professora Niobe Way, da Universidade de Nova York, que estuda desenvolvimento social e emocional, complementa que a saúde mental é um sintoma de problemas sociais. “Não há diferenças de gênero no desejo por amizades íntimas”, disse, ressaltando que meninos são igualmente capazes de formar conexões emocionais. No entanto, Way observa que, ao atingir os 16 anos, muitos meninos enfrentam uma “crise de conexão”, tornando-se menos propensos a discutir sentimentos e se conectar com amigos.

Espaço de amor e pertencimento

Fundado em 1876 por E. H. Harriman, o Boys’ Club começou como uma iniciativa para manter crianças longe das ruas, oferecendo materiais de leitura e aulas de boxe. Hoje, o clube evoluiu, com estúdios de gravação, piscinas e aulas de robótica. Apesar das mudanças de localização, o foco em espaço, cuidado e estrutura permanece.

No Abbe Clubhouse, em Queens, o ambiente é acolhedor. As regras são claras e o espaço é decorado com retratos e citações inspiradoras. Os jovens se sentem em casa, e a interação entre eles e os funcionários, muitos dos quais são ex-membros do clube, reforça a ideia de pertencimento. “Aqui não somos apenas beneficiários, somos membros”, diz Ashanti Branch, especialista em desenvolvimento juvenil.

O BCNY oferece um espaço seguro e estruturado, essencial para o desenvolvimento social dos meninos. Dominick Shattuck, pesquisador da Universidade Johns Hopkins, destaca que atividades em grupo facilitam conversas pessoais e conexões mais profundas entre os jovens.