Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, deixou seu lar em Iguape, São Paulo, para se alistar no Exército Ucraniano. Sua decisão foi impulsionada por uma significativa perda financeira de R$ 340 mil em apostas online, que o levou a buscar ajuda e uma nova vida em meio ao conflito contra a Rússia.
Desafios e sobrevivência na guerra
Atualmente, Moita atua na cidade de Dnipro, onde enfrenta diariamente o risco de morte em combate. Ele comentou sobre a mudança em sua percepção sobre dinheiro após se unir às forças armadas. “Se for pelo salário, dá para ganhar dinheiro no Brasil. Aqui é brincar com a morte”, afirmou.
O brasileiro é remunerado por seus serviços, com valores que podem chegar a 400 mil grívnias mensais, o que equivale a aproximadamente R$ 46,4 mil. No entanto, Moita alertou sobre os perigos enfrentados no campo de batalha, enfatizando a incerteza de sua situação.
Retorno ao Brasil e futuro incerto
O contrato militar de Moita prevê um mês de férias, com seu retorno ao Brasil previsto entre novembro e dezembro deste ano. Após esse período, ele terá que decidir entre rescindir o contrato ou continuar por mais três anos como membro do Exército Ucraniano. “Não sei o que vai acontecer daqui para frente”, disse.
Logo que chegou à Ucrânia, o brasileiro sobreviveu a um ataque aéreo que atingiu a base onde estava. “Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa”, relatou. Em outra ocasião, escapou de um bombardeio que causou a morte de um colega brasileiro.
A luta contra a ludopatia
Nascido no Rio de Janeiro e criado em São Gonçalo, Moita se mudou para Iguape em 2022. Antes de se alistar, ele trabalhou como produtor de eventos e motorista de aplicativo, mas seu dinheiro foi consumido pelo vício em apostas. A situação se agravou a ponto de perder R$ 75 mil em um único dia.
Após ser diagnosticado com indícios de ludopatia por uma psicóloga, ele decidiu mudar sua vida. “Eu estava me destruindo. Pensei: 'Eu preciso sair daqui, preciso mudar'”, contou. Para controlar seus impulsos, chegou a pedir ao pai que confiscasse seu celular.
Com uma família de militares, Moita se alistou na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março deste ano. Apesar da resistência inicial de seus parentes, ele acredita que a experiência tem sido transformadora, tanto em termos de disciplina quanto na forma como vê o dinheiro. Em suas missões, ele participa de treinamentos diários e enfrenta desafios que testam não apenas sua coragem, mas também sua determinação em superar o vício.
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