Em Ipuaçu, no Oeste de Santa Catarina, a história de uma família se entrelaça com a natureza e a tradição. O agricultor Ivo Debiasi plantou cana-de-açúcar nos anos 1940 com o objetivo de estabilizar o solo e combater a erosão em sua propriedade. O que começou como uma medida de proteção tornou-se, 80 anos depois, a base de um negócio familiar que agora produz a cachaça premium ‘Terno de Mula’.
Uma herança que se transforma em negócio
As mudas de cana, trazidas de São Paulo por Ivo, foram cultivadas sem a intenção inicial de produção de bebidas. Após sua morte em 1983, o filho José Hilton Debiasi decidiu transformar a tradição familiar em um empreendimento. Ele começou a produzir cachaça utilizando técnicas passadas de geração para geração.
De acordo com informações do NSC Total, a marca ‘Terno de Mula’ faz referência ao conjunto de animais que Ivo utilizava para o transporte de madeira durante a colonização da região. Essa lembrança se tornou a identidade do principal produto da Casa Debiasi.
Desafios e profissionalização
Em 2018, André Debiasi e sua esposa, Clariane, assumiram a agroindústria e implementaram melhorias. Eles buscaram a profissionalização do negócio, que incluiu a reestruturação, assistência técnica e a adequação dos processos produtivos. A continuidade da tradição quase foi interrompida, mas a nova geração conseguiu revitalizar a produção.
A agroindústria foi regularizada junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária, um passo essencial para garantir a legalidade e a qualidade da produção de bebidas no Brasil. Além da cachaça, a propriedade diversificou suas atividades e passou a produzir vinhos, licores, geleias e açúcar mascavo, sempre mantendo o foco na produção artesanal.
Legado e sustentabilidade
Com essa diversificação, a família Debiasi tem conseguido garantir a continuidade do legado iniciado por Ivo. Mesmo com a ampliação da linha de produtos, a produção artesanal e o saber tradicional continuam a ser valorizados, refletindo a história e a cultura local.
Dessa forma, a cana-de-açúcar, que inicialmente serviu para proteger o solo, se transformou em um pilar econômico e cultural para a família, assegurando renda e perpetuando a memória de seus antepassados.
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