O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou na quarta-feira (8 de julho de 2026) que exportadores privados fecharam a venda de 472 mil toneladas de soja para a China. Desse total, 136 mil toneladas pertencem à safra 2025/2026, enquanto 336 mil toneladas são da safra 2026/2027. Essa transação representa a maior venda da commodity norte-americana para o mercado chinês desde novembro do ano anterior, quando os EUA embarcaram 720 mil toneladas.
A compra de soja pelos chineses não apenas traz um benefício comercial significativo para os Estados Unidos, mas também carrega um valor político relevante. Este acordo foi uma concessão da China, negociada no ano passado durante o encontro entre os presidentes Donald Trump, dos EUA, e Xi Jinping, da China, marcado como a primeira reunião desde o início da guerra tarifária entre os dois países.
Contexto da negociação
O encontro entre Trump e Xi ocorreu no final de outubro de 2025, na Coreia do Sul. Desde então, o USDA registrou 23 ordens de compra de soja por parte da China, totalizando 6,2 milhões de toneladas. Antes dessa reunião, a China havia interrompido as encomendas de soja norte-americana, resultando em uma drástica queda no comércio da commodity entre os países, que passou de US$ 12,6 bilhões em 2024 para apenas US$ 3 bilhões em 2025.
Os produtores rurais dos EUA foram uma base crucial para a vitória de Trump nas eleições presidenciais de 2024. O presidente enfrentava pressões devido à queda nas vendas de soja para a China, que é o principal destino das exportações dessa commodity. Quando Xi anunciou a retomada das encomendas em outubro de 2025, Trump expressou sua gratidão publicamente em suas redes sociais.
Expectativas futuras
Em fevereiro de 2026, Trump trouxe novas perspectivas otimistas para os produtores norte-americanos, afirmando que, após uma conversa telefônica com Xi, os chineses pretendiam aumentar a compra de soja dos EUA para 20 milhões de toneladas nesta temporada e 25 milhões de toneladas no ciclo seguinte. Embora a China não tenha confirmado esses números, até o momento, tem cumprido com o compromisso de retomar as compras do produto norte-americano.
É importante ressaltar que, apesar da concorrência com os produtores brasileiros, as vendas de soja do Brasil para a China aumentaram mesmo com a retomada das importações norte-americanas. De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), as exportações de grãos de soja para a China no primeiro semestre de 2026 se mantiveram estáveis em comparação ao mesmo período do ano anterior.
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