Todos os dias, um pequeno grupo de armênios desce a 250 metros de profundidade em uma mina de sal ativa, onde passam seis horas em câmaras cavernosas, buscando alívio para problemas respiratórios. A clínica de asma, que oferece um tratamento alternativo conhecido como speleoterapia, tem atraído pacientes desde sua abertura em 1987.

Mikayel Torosian, um dos frequentadores, relatou: "Tentei todos os tratamentos possíveis, e este foi o único que funcionou. Antes de experimentar, achava que era uma bobagem, mas agora sou um verdadeiro crente. Isso me salvou." A speleoterapia se baseia na crença de que o ar saturado de sal e livre de alérgenos da mina pode aliviar doenças respiratórias.

Retirada de financiamento e suas consequências

A clínica, uma das poucas do mundo localizada em uma mina de sal profunda, enfrenta sérias dificuldades após o governo da Armênia ter cortado o financiamento estatal em 2019. As autoridades argumentaram que a speleoterapia carecia de evidências científicas suficientes para justificar o suporte público. Essa decisão ocorreu em meio a reformas do sistema de saúde do país e à preparação para a introdução de um seguro de saúde universal.

Atualmente, os pacientes que antes recebiam tratamento gratuito agora precisam pagar cerca de £20 por sessão. Anush Voskanyan, médica da clínica desde 1989, expressou preocupação com o futuro do local: "Estamos à beira de fechar. Ainda estamos operando, mas apenas de forma precária, e poderemos fechar a qualquer momento."

Benefícios e controvérsias da speleoterapia

Os pacientes costumam passar seis horas por dia na mina durante um tratamento que dura três semanas. Voskanyan explicou que a primeira semana permite que o corpo se adapte ao ambiente único, com benefícios se acumulando gradualmente. Em seu auge, a clínica recebia milhares de pacientes anualmente, muitos dos quais eram atendidos gratuitamente pelo sistema de saúde armênio. Hoje, o número caiu drasticamente, com apenas cerca de cinco pacientes por vez.

Embora a speleoterapia tenha sido praticada por décadas em partes da Europa Oriental e na antiga União Soviética, o número de estudos de grande escala é limitado e muitas clínicas fecharam suas portas. Especialistas em doenças respiratórias geralmente consideram essa terapia como complementar, que pode aliviar sintomas, mas não deve substituir tratamentos médicos convencionais. No entanto, os defensores da prática argumentam que a falta de pesquisas conclusivas não diminui as evidências dos pacientes que relatam melhorias significativas.

"Se não ajudasse, eu não voltaria", afirmou Alvart Alihanyan, que visita a clínica há dez anos, vindo da Rússia. Enquanto isso, a cada manhã, o elevador continua sua descida sob Yerevan, oferecendo um refúgio raro da agitação do mundo exterior.