O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento cautelar e imediato da desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), devido a declarações consideradas inadequadas dirigidas a juízes e advogados durante uma sessão realizada na última quarta-feira (8.jul.2026).
De acordo com a Agência Estado, os desembargadores discutiam uma proposta que visava a redistribuição de servidores das varas do trabalho de 1ª instância para a área administrativa do TRT-17 e os gabinetes do 2º grau. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Espírito Santo manifestou preocupação com a medida, afirmando que poderia prejudicar a prestação jurisdicional e solicitou a suspensão do julgamento para participar do processo.
Declarações de Marise e reação da OAB
Durante a discussão sobre o pedido da OAB-ES, a desembargadora fez comentários que foram considerados jocosos e desrespeitosos. Ela afirmou: “O 1º grau não está produzindo nada, enquanto o 2º grau está produzindo loucamente. O que é que a OAB está fazendo aqui? (...) A 1ª instância não está julgando o suficiente e está cheia de servidor. A 2ª está com pouco servidor e está produzindo feito uma louca, sem saber como.”
O caso foi levado à Corregedoria Nacional de Justiça após uma reclamação disciplinar apresentada ao Conselho Superior da Justiça do Trabalho, destacando a necessidade de uma resposta às condutas da desembargadora.
Decisão do CNJ e posicionamento do TRT-17
No despacho, o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, mencionou que existem “fartos registros audiovisuais e notícias amplamente veiculadas na mídia jurídica especializada” que indicam o uso de tom jocoso e excessos verbais por parte da desembargadora. Como resultado, Marise foi proibida de acessar as dependências do TRT-17 e teve suas credenciais de acesso aos sistemas internos suspensas, embora continue a receber seu salário até a decisão final do CNJ.
A desembargadora já enfrenta outro processo no CNJ, que investiga supostas ofensas e ameaças a colegas em grupo de mensagens. O plenário do Conselho já havia determinado uma medida cautelar que impede Marise de assumir cargos de direção no TRT-17.
Em nota divulgada na sexta-feira (10.jul), a presidente da OAB-ES, Erica Neves, informou que o ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, comunicou o afastamento imediato da magistrada. Neves criticou a atitude da desembargadora, afirmando que ela agiu “fora de si” e causou “uma vergonha para os próprios pares”.
O TRT-17 também se pronunciou, lamentando o ocorrido e afirmando que tomará as medidas administrativas necessárias. O tribunal destacou a importância do diálogo com a advocacia e reafirmou seu compromisso com uma prestação jurisdicional justa e eficaz.
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