A escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã se intensificou, com ambos os lados realizando ataques recíprocos após o colapso do cessar-fogo que vigorou por pouco mais de dois meses. Sirenes de alerta de bombardeios soaram em várias nações do Golfo, enquanto as forças americanas e iranianas se confrontam em uma nova onda de hostilidades.

Desde o início de julho, a situação se agravou com o ataque do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) contra três embarcações comerciais, incluindo um petroleiro de gás natural liquefeito do Catar, nas proximidades de Omã. Em resposta, os EUA realizaram ataques aéreos contra alvos militares iranianos, levando Teerã a retaliar com mísseis e drones direcionados a bases militares no Golfo onde tropas americanas estão posicionadas.

O colapso do cessar-fogo

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo estabelecido em abril havia chegado ao fim, enquanto o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que “a vingança é a vontade da nação”. O fechamento do Estreito de Hormuz, uma importante via de transporte de petróleo, por parte do Irã, intensificou ainda mais as hostilidades, com os EUA realizando ataques a várias cidades iranianas, enquanto Teerã direcionou suas ações contra países do Golfo, como Bahrein, Kuwait e Qatar.

Analistas indicam que o conflito está se transformando de ataques pontuais para um combate mais sustentado, embora as áreas de engajamento sejam limitadas em comparação com os combates anteriores. Em fevereiro e março, os ataques foram mais abrangentes, resultando em um elevado número de civis mortos, incluindo um ataque aéreo americano que deixou cerca de 120 mortos em uma escola na cidade iraniana de Minab.

Diferenças nas estratégias de ataque

Os ataques mais recentes têm se concentrado em evitar alvos civis e infraestrutura energética, ao contrário do que ocorreu nas fases iniciais do conflito. O foco atual parece ser a pressão sobre o outro lado para recuar na questão do Estreito de Hormuz. Além disso, Israel não participou abertamente dos ataques mais recentes, diferentemente do início da guerra, quando se tornou um dos principais aliados dos EUA contra o Irã.

Apesar da escalada, continua a haver espaço para a diplomacia, com Qatar e Paquistão atuando nos bastidores para tentar conter a situação. No entanto, a interpretação divergente do memorando de entendimento (MoU) mediado por Islamabad por parte dos EUA e do Irã levanta dúvidas sobre a possibilidade de um acordo duradouro.

Os objetivos de Teerã parecem ter se expandido ao longo do conflito, enquanto os dos EUA estão se restringindo, conforme apontado por Paul Musgrave, professor associado da Universidade de Georgetown. O cenário atual complica ainda mais a possibilidade de retomar o diálogo entre as nações.