O clima ensolarado e a Copa do Mundo motivaram os consumidores britânicos a aumentarem os gastos com bebidas e compras online no mês passado. Com a expectativa de gastos contínuos, os torcedores da Inglaterra se preparam para a semifinal de quarta-feira.

Ainda que a maioria das pessoas mantenha uma visão pessimista sobre a economia do Reino Unido, de acordo com dados do Barclays Bank baseados em transações com cartões de débito e crédito, a Copa do Mundo ajudou os consumidores a deixarem suas preocupações de lado. Eles se permitiram indulgências como cervejas, piscinas infláveis e ventiladores elétricos, com quase metade destes últimos provavelmente indo parar em aterros sanitários.

Aumento no consumo e impacto do futebol

Os gastos aumentaram 1,9% em junho em comparação ao ano anterior, embora ainda abaixo da taxa de inflação de 3%, mas representando uma melhora em relação ao crescimento modesto de 0,8% registrado em maio. Os pubs foram os mais beneficiados, em parte devido aos torcedores aproveitando as horas de funcionamento estendidas, conforme relatado no relatório de consumo do Barclays.

O dia da vitória da Inglaterra na fase de grupos contra o Panamá foi o mais movimentado de 2026 até agora, com receitas cinco vezes maiores do que a média diária do ano. Em termos anuais, o empate da Inglaterra com Gana resultou no maior aumento de gastos, com usuários de cartões em pubs gastando 244% a mais do que no mesmo dia de 2025, possivelmente devido à falta de ação que deu aos torcedores mais tempo para ir ao bar.

A vitória nas oitavas de final contra o México registrou um aumento de 201,5%, considerando o domingo e a segunda-feira em que o jogo ocorreu de madrugada. Embora os dados não incluam a vitória da Inglaterra nas quartas de final sobre a Noruega, a empresa de pagamentos Dojo divulgou um aumento de 23% nas receitas em comparação ao sábado anterior.

Efeitos do calor nas vendas

O calor extremo, que reflete os efeitos da crise climática no Reino Unido, teve um impacto semelhante ao da Copa do Mundo, conforme os dados mostram. A onda de calor recorde levou os consumidores a renovarem seus guarda-roupas, resultando em um aumento de 2,4% nas vendas de roupas, segundo o Barclays. As lojas de departamentos, muitas das quais são climatizadas, apresentaram resultados ainda melhores, com um aumento de 9,7% nas vendas.

No entanto, um relatório separado indicou que o calor fez com que a maioria dos consumidores optasse por comprar online ao invés de enfrentar as altas temperaturas nas ruas. As vendas de itens não alimentícios nas lojas caíram 1,1% em comparação ao junho anterior, conforme dados do British Retail Consortium (BRC) e KPMG. Enquanto isso, as vendas online de itens não alimentícios subiram 5,1% no mesmo período, superando a taxa média de crescimento de 1,5% nos últimos 12 meses.

Embora os varejistas online tenham se beneficiado, o BRC emitiu um alerta sobre a pressão sobre as lojas físicas. "Ventiladores elétricos e piscinas infláveis tiveram um bom desempenho, enquanto o calor dificultou vendas de jogos e produtos de maior valor", afirmou Helen Dickinson, CEO do BRC. "Uma onda de calor não apenas altera a forma como os clientes compram, mas também torna as operações de varejo mais desafiadoras, desde manter as prateleiras abastecidas até garantir que produtos e pessoas fiquem frescos. Essas pressões se somam ao aumento das taxas de negócios, impostos sobre emprego mais altos e incertezas globais, que estão restringindo a capacidade dos varejistas de investir, criar empregos e manter os preços baixos."