A doença renal crônica (DRC) se tornou a nona maior causa de morte no mundo, acendendo um alerta em Goiás. A condição afeta cerca de 14% da população global, o que equivale a uma em cada sete pessoas que apresentam algum grau de perda da função renal. O médico Hans Stauber Kronit, especialista em nefrologia do Ânima Centro Hospitalar, em Anápolis, destaca a gravidade do problema, especialmente por seu caráter assintomático nas fases iniciais.
De acordo com Kronit, cerca de 90% dos indivíduos com disfunção renal em estágio inicial não têm conhecimento de sua condição. A maioria descobre o problema apenas quando o quadro se torna irreversível, exigindo intervenções drásticas. Este “silêncio clínico” é uma das maiores preocupações dos médicos, que alertam para a importância do diagnóstico precoce.
Causas e fatores agravantes
O aumento dos casos de DRC é atribuído, em parte, ao crescimento da expectativa de vida, mas hábitos de vida inadequados também desempenham um papel crucial. O especialista explica que o consumo elevado de sódio, além do aumento dos casos de hipertensão e diabetes, contribui para o crescimento expressivo da doença. “Essas condições atuam de forma contínua, prejudicando o sistema de filtragem dos rins ao longo dos anos”, ressalta.
As projeções clínicas indicam que um em cada quatro hipertensos e um em cada dois diabéticos terão que passar por hemodiálise ou diálise peritoneal em algum momento da vida. Kronit também menciona a automedicação como um fator preocupante, já que o uso indiscriminado de anti-inflamatórios pode acelerar a perda da função renal.
Importância do diagnóstico precoce
Segundo o médico, o diagnóstico precoce é fundamental para mudar o curso do tratamento da DRC. Ele recomenda que as pessoas não aguardem o surgimento de sintomas para avaliar a saúde renal. “O rastreamento deve ser contínuo, realizado anualmente, independentemente de qualquer suspeita clínica”, orienta.
Kronit sugere três exames essenciais para o monitoramento da doença: testes laboratoriais de sangue para verificar os níveis de creatinina e ureia, exame de urina simples para detectar perda anormal de proteínas ou hemorragias invisíveis, e ultrassonografia dos rins e vias urinárias, indicada pelo menos uma vez por ano.
O especialista afirma que existem diversas medicações e tratamentos que podem estabilizar a perda da função renal. Contudo, é necessário associar o tratamento a um controle rigoroso do diabetes, estabilização da pressão arterial e mudanças significativas nos hábitos de vida. “Embora o tecido renal perdido seja difícil de recuperar, conseguimos retardar a progressão da doença e evitar que o paciente necessite de hemodiálise precocemente”, conclui.
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