Assista ao teaser de 'Moana' A Moana que chegou aos cinemas nesta quarta-feira (8) é, essencialmente, a mesma princesa sem príncipe que conquistou o público na animação lançada em 2016. A aposta da Disney em transformar o sucesso de bilheteria em live-action menos de dez anos depois da estreia da animação parecia, à primeira vista, até ousada. Na prática, porém, o estúdio acaba entregando uma experiência bastante conhecida: reproduz cena por cena do longa original, sem acrescentar quase nada à história.

Para os fãs da animação, é verdade, essa fidelidade pode não ser um problema, mas um alívio. Afinal, adaptações em live-action costumam ser julgadas basicamente pelo equilíbrio entre oferecer algo novo que justifique comprar outro ingresso para a mesma história e preservar o material original. Coração da história continua o mesmo Se o live-action pouco acrescenta, ao menos preserva aquilo que sempre foi o maior trunfo de "Moana": sua história.

Na ilha de Motunui, onde seu pai é o grande líder, Moana cresceu sabendo que um dia deveria assumir essa posição, sem precisar casar com príncipe algum. O problema é que uma maldição começa a ameaçar as ilhas vizinhas e chega até seu próprio povo, prejudicando a pesca e o plantio. Cabe então a ela, incumbida dessa sina de líder, atravessar o oceano em busca de uma solução.

Catherine Lagaʻaia assume o papel de Moana, a jovem aventureira determinada que conduz a história. Divulgação Mas o que é interessante de ver em "Moana" nunca foi esse desfecho, e sim o caminho percorrido pela personagem. Os monstros e as belezas dessa louca aventura.

O filme é uma jornada lindíssima de uma jovem tentando entender quem é, quem nasceu para ser. Dwanne Johnson rouba a cena Nessa busca, a relação entre ela e Maui continua sendo um dos pontos altos do filme. O semideus interpretado pelo gigante — em todos os sentidos — Dwayne Johnson transforma-se em mentor, companheiro de viagem e peça fundamental na jornada de heroína da protagonista.

Egoísta e bondoso, ele mistura traços ora de herói, ora de vilão. No início, chega a prender Moana e tenta se livrar dela diversas vezes. Depois, dá o braço a torcer com os argumentos da menina.

A relação vai evoluindo de tal maneira que a armadura do semideus racha: por trás, o público descobre uma criança que só precisava ser amada (não somos todos para sempre esta criança?) Dwayne Johnson retorna como o astuto semideus Maui, personagem que ajudou a consagrá-lo na animação, e também assina a produção do longa. Divulgação Se, na animação, Johnson já imprimia seu carisma ao personagem apenas com a voz, no live-action ele finalmente tem a oportunidade de encarná-lo por completo. O ator nada de braçada em todos os momentos em que aparece, tornando Maui menos chatão (principalmente nas primeiras cenas em que aparece) e mais espirituoso.

Carismático mesmo. O resultado é um personagem com um timing cômico afiadinho e até espaço para fazer piadocas de tom mais adulto. Uma Moana insossa Já Catherine Laga'aia tem uma missão difícil: interpretar uma personagem que, na animação, conquistou o público pelo carisma e por uma personalidade bem forte.