Um eclipse solar total ocorrerá em 12 de agosto de 2026, sendo o primeiro deste tipo na Europa Ocidental desde 1999. O evento atrairá observadores para locais como o leste da Groenlândia, oeste da Islândia e norte da Espanha, onde a lua cobrirá o disco solar, permitindo a visualização da coroa solar, normalmente oculta.
Embora se possa pensar que as missões espaciais tenham tornado os eclipses totais obsoletos para a pesquisa científica, especialistas afirmam que esses fenômenos ainda são essenciais. A sonda Parker da NASA já atravessou a coroa solar, e outras missões, como o Solar Orbiter da ESA e o Observatório Solar e Heliosférico da NASA, estudam o sol a partir do espaço. A missão Proba-3 da ESA, por sua vez, pode criar eclipses artificiais em órbita. No entanto, a busca pela sombra da lua continua a ser relevante para os cientistas.
Acessibilidade e oportunidades de pesquisa
A razão para isso é clara: os eclipses totais oferecem oportunidades acessíveis e de baixo custo para estudar tanto o sol quanto a Terra. “Grupos de pesquisa com ideias inovadoras podem ir a um eclipse e fazer observações sem precisar competir por bilhões em financiamento da NASA ou da ESA – a barreira de entrada é muito menor”, explica Ryan French, físico solar do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial em Boulder, Colorado.
Projetos inovadores em ação
Um exemplo é o Nationwide Eclipse Ballooning Project, que enviará equipes de várias universidades dos EUA para a Espanha e Islândia para estudar as respostas atmosféricas ao eclipse. Balões lançados na Espanha alcançarão altitudes entre 27 e 37 quilômetros, transportando câmeras de 360 graus, instrumentos de ozônio e experimentos de rádio. Enquanto isso, equipes islandesas lançarão balões equipados com radiossondas, que monitoram pressão, temperatura, umidade e outros parâmetros atmosféricos, com o objetivo de medir os efeitos do eclipse na camada limite planetária.
Além disso, a aeronave WB-57 da NASA, que opera em alta altitude, fará medições da luz coronal polarizada durante o eclipse. Essa altitude elevada ajuda a evitar a cobertura de nuvens e minimizar a interferência atmosférica. “Em alta altitude, você pode observar luz infravermelha que não pode ser vista do solo”, afirma French.
No eclipse total de 2024, o projeto Citizen CATE, financiado pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA e pela NASA, utilizou telescópios ao longo do caminho da totalidade para criar um timelapse da coroa solar. Este experimento será repetido em 2026, com planos de um timelapse ainda mais abrangente durante o eclipse de agosto de 2027, que terá uma duração maior devido à proximidade da nova lua com a Terra.
Os cientistas também buscam determinar o raio do sol, uma tarefa desafiadora devido à ausência de uma superfície sólida. O grupo Besselian Elements, formado por pesquisadores de várias partes do mundo, registra espectros de flash na borda do caminho da totalidade para aprimorar os mapas de eclipse e calcular o raio real do sol.
Além disso, o eclipse pode oferecer uma oportunidade única para testar a detecção de auroras durante a totalidade. Liz MacDonald, cientista da NASA e fundadora do projeto de ciência cidadã Aurorasaurus, utilizará câmeras de céu inteiro para procurar um brilho auroral sutil. Embora seja uma possibilidade remota, a Islândia se encontra sob o oval auroral, onde a aurora é frequentemente visível.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.