Um estudo da Universidade de Michigan aponta que as glórias-da-manhã estão enfrentando uma queda de 96% na taxa de adaptação, consequência da pressão para atrair polinizadores em meio às mudanças climáticas e à diminuição das populações de polinizadores. A pesquisa, publicada na revista Evolution Letters, revela que a necessidade de flores maiores para atrair polinizadores pode estar limitando a capacidade das plantas de se adaptarem a um clima em aquecimento.

A pesquisa e suas implicações

Os pesquisadores, liderados pela graduada recente Sasha Bishop e em colaboração com o pesquisador da Universidade de Toronto, John Stinchcombe, conduziram o estudo em um contexto de mudanças globais causadas pelo homem. Além do aquecimento global, as alterações no habitat e práticas agrícolas, como o uso de pesticidas e herbicidas, resultaram em um declínio acentuado das populações de polinizadores.

Estamos observando uma situação em que há um atraso na taxa adaptativa das populações selvagens em comparação com o que teoricamente poderia ser possível em termos de evolução rápida”, afirmou Bishop. A pesquisa analisou a discrepância entre a teoria, que sugere que organismos devem adaptar-se rapidamente a ambientes em mudança, e a realidade observada em diversas populações de plantas.

O dilema da adaptação

Para investigar essa questão, os pesquisadores cultivaram sementes de glórias-da-manhã coletadas de populações selvagens em dois momentos distintos, com uma diferença de nove anos. Eles focaram em características das plantas que poderiam ser afetadas pelas mudanças climáticas e pela presença de polinizadores, registrando dados como a data da primeira floração, tamanho das flores, teor de açúcar no néctar e a distância entre as partes reprodutivas das flores.

A taxa de adaptação foi avaliada utilizando uma estatística chamada R, que calcula como uma população deve se adaptar considerando a ligação entre as características, em vez de analisar cada traço isoladamente. Os resultados mostraram que, nas populações originais, a taxa de adaptação era de cerca de 76% do esperado se não houvesse covariância. No entanto, após nove anos, essa taxa caiu para apenas 9% do que seria esperado sem essa ligação.

Bishop ressaltou a importância da fenologia da floração como um caminho adaptativo crucial em relação às mudanças climáticas, que incluem alterações de temperatura e precipitação. “A implicação é que a diminuição dos polinizadores e a pressão seletiva para atraí-los podem estar tornando essas plantas menos capazes de se adaptar às mudanças climáticas”, concluiu.