Estados Unidos e Irã intensificaram suas hostilidades com uma série de ataques após o fim do cessar-fogo na quarta-feira (08). As ofensivas focaram em alvos militares e estratégicos, levantando questões sobre a viabilidade de um acordo diplomático duradouro entre as nações, conforme analisado pelo especialista em relações internacionais Lourival Sant'Anna.

O Irã declarou ter atacado bases e instalações militares americanas localizadas no Golfo, incluindo alvos no Kuwait e no Bahrein. Em contrapartida, o Comando Central dos EUA informou que atingiu cerca de 90 alvos militares iranianos, que abrangem sistemas de defesa aérea, áreas de vigilância costeira e depósitos de mísseis e drones.

Alvos estratégicos e impacto simbólico

Lourival Sant'Anna destacou a importância estratégica dos ataques. Os bombardeios americanos se concentraram na costa do Irã e incluíram o reator nuclear de Bushehr, que produz energia elétrica e utiliza urânio enriquecido fornecido pela Rússia. Além disso, duas pontes ferroviárias que dão acesso à cidade sagrada de Mashhad foram atingidas, interrompendo viagens de trens que transportavam passageiros para o funeral de Ali Khamenei, segundo informações das autoridades iranianas.

Em resposta, o Irã atacou bases militares americanas localizadas em países como Qatar, Bahrein, Kuwait e Jordânia. A Jordânia, por sua vez, relatou ter interceptado oito mísseis balísticos iranianos, mas ainda não há informações detalhadas sobre os danos causados pelos ataques iranianos.

Estreito de Ormuz e disputa pelo controle marítimo

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas do mundo, onde cerca de 17% do gás e petróleo globais são transportados, permanece parcialmente aberto, embora com um tráfego significativamente reduzido. Recentemente, aproximadamente 13 navios passaram pela área nas últimas 24 horas, em comparação ao fluxo habitual de mais de cem embarcações diárias.

Segundo Lourival Sant'Anna, a estratégia dos Estados Unidos visa deteriorar a capacidade militar do Irã de atacar navios no Estreito de Ormuz, embora ele reconheça as limitações dessa abordagem. "Sem o envio de tropas, não é possível realizar uma limpeza completa, pois a região possui muitas falésias e esconderijos para mísseis e drones", explicou.

Os ataques têm sido utilizados como uma forma de pressão nas negociações. Sant'Anna afirmou que "essa é uma negociação que está sendo feita por meio da força militar", e o objetivo é alcançar um "protocolo de tráfego pelo Estreito de Ormuz que seja menos inaceitável para a comunidade internacional".