Os Estados Unidos concluíram uma série de ataques a alvos militares no Irã por três noites consecutivas, enquanto o Irã lançou ataques contra dois petroleiros dos Emirados Árabes Unidos no Estreito de Hormuz, provocando alertas de ataque aéreo em toda a região do Golfo.

O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que a mais recente missão, que durou cinco horas, atingiu alvos militares em todo o Irã, reduzindo ainda mais a capacidade do país de atacar navios comerciais. Os ataques focaram em sistemas de defesa costeira, locais de mísseis e drones, além de capacidades marítimas do Irã.

A ação militar dos EUA ocorreu horas após o presidente Donald Trump ordenar a reinstauração de um bloqueio ao Irã no estreito, na terça-feira às 16h (horário da costa leste dos EUA), e sugerir uma taxa de 20% sobre os navios que transitarem pela importante via de energia.

Retaliações iranianas e danos causados

O Irã respondeu atacando países do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, na manhã de terça-feira. O Ministério da Defesa dos Emirados informou que os petroleiros Mombasa e AI Bahiyah foram atingidos por dois mísseis de cruzeiro iranianos na faixa sul do estreito, dentro das águas territoriais de Omã. O ataque resultou na morte de um membro da tripulação indiano a bordo do Mombasa, além de ferimentos em outros oito e danos materiais significativos aos petroleiros devido aos incêndios que se iniciaram a bordo.

O ministério declarou que o país manterá “o mais alto nível de prontidão e preparação para enfrentar quaisquer ameaças” e tomará todas as medidas necessárias para responder a tentativas de comprometer a segurança e a estabilidade do país.

Impacto no tráfego marítimo e nos preços do petróleo

O Bahrein, que abriga a Quinta Frota da Marinha dos EUA, também sofreu novos ataques, com sirenes de alerta de mísseis soando na manhã de terça-feira, conforme a Associated Press. O tráfego pelo Estreito de Hormuz está diminuindo novamente, com uma queda confirmada de cerca de 52% nas travessias de 10 a 12 de julho, segundo a Kpler, levando a um retorno a “padrões de rotas mais defensivas”, com maior uso de rotas iranianas e não oficiais, enquanto os corredores autorizados pela Organização Marítima Internacional estão sendo evitados.

Os prêmios de risco de guerra para o Estreito de Hormuz devem aumentar acentuadamente, à medida que os mercados reagem às tensões crescentes, segundo a Lloyd's List Intelligence, já que armadores e fretadores interromperam decisões de trânsito pela via marítima. Os ataques têm desfeito o cessar-fogo resultante do acordo interino EUA-Irã assinado no mês passado, que visava reabrir o estreito e pausar as hostilidades por 60 dias para negociações.

A escalada na região resultou em um aumento de 2% no preço do petróleo Brent, que alcançou US$ 85 o barril, enquanto o West Texas Intermediate dos EUA subiu 2,3%, atingindo US$ 80, em meio a incertezas renovadas sobre o transporte comercial através do estreito, que antes do conflito carregava um quinto do petróleo e gás do mundo.