Os Estados Unidos anunciaram, nesta terça-feira (28), novas medidas que restringem a importação de robôs humanoides e inversores de energia fabricados na China. De acordo com o governo de Donald Trump, a iniciativa tem como objetivo proteger o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) no país e mitigar riscos à segurança nacional.
Objetivos das novas restrições
As regras, divulgadas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), visam proibir a entrada de novos robôs humanoides e quadrúpedes provenientes da China, além de inversores de energia conectados. Esses equipamentos são essenciais para a integração de fontes de energia renováveis e baterias às redes elétricas e sistemas de data centers nos Estados Unidos.
O governo Trump busca, com essas ações, proteger a cadeia de produção de IA contra interrupções, roubo de dados e ataques cibernéticos atribuídos à China. Além disso, as medidas têm o intuito de incentivar empresas a transferirem suas operações para o território americano. “Esses dispositivos poderiam criar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos que poderiam prejudicar a segurança econômica e nacional dos EUA”, afirmou a FCC em comunicado.
Impactos no setor de robótica e energia
A proibição pode afetar significativamente a Unitree, uma das líderes mundiais em robôs humanoides, que possui cerca de 20% do mercado global, segundo a Counterpoint Research. A empresa foi recentemente incluída na lista do Pentágono de companhias chinesas supostamente ligadas às Forças Armadas, o que pode sinalizar a intensificação das medidas por parte dos EUA.
Além disso, a FCC deve isentar muitos fornecedores não chineses das novas restrições, conforme práticas anteriores em relação a drones e roteadores estrangeiros. As proibições se aplicam apenas a modelos que ainda não estão no mercado, mas a FCC também tem a autoridade para revogar autorizações de venda de dispositivos já aprovados.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, alertou que empresas chinesas de IA podem enfrentar sanções por supostos casos de roubo de propriedade intelectual. As autoridades dos EUA buscam evitar uma situação semelhante à dos minerais de terras raras, que são essenciais para a fabricação de tecnologias e amplamente controlados pela China.
Defensores de uma postura mais rigorosa em relação à China expressam preocupações de que os robôs humanoides possam ser utilizados para espionagem, coletando dados sensíveis que poderiam ser empregados por agentes mal-intencionados. A FCC destacou que esses robôs “coletam dados que poderiam ser usados para vigiar americanos e aprimorar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros”.
A China é a principal fabricante global de inversores de energia, com empresas como a Sungrow Power Supply e a Huawei liderando o setor. A Unitree, a Sungrow e a Huawei não responderam imediatamente a pedidos de comentários sobre as novas restrições.
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