O ex-conselheiro sênior do Federal Reserve, John Harold Rogers, de 64 anos, foi condenado a mais de três anos de prisão por mentir a investigadores federais sobre o compartilhamento de informações restritas do banco central com agentes de inteligência da China, conforme informado pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Rogers foi considerado culpado em fevereiro por fazer declarações falsas durante uma investigação, ao negar ter compartilhado informações confidenciais sobre política monetária. A procuradora dos EUA, Jeanine Pirro, declarou em um comunicado que a mesma jurisdição o absolveu da acusação mais grave de conspiração para cometer espionagem econômica.

Sentença e contexto da espionagem

A sentença foi proferida em um momento em que a administração Trump intensificou a investigação sobre supostas atividades de espionagem econômica por parte de Pequim. O juiz do tribunal distrital dos EUA, Dabney Friedrich, também ordenou que Rogers cumprisse mais 12 meses de liberdade supervisionada após a prisão.

Os advogados de defesa solicitaram que ele não cumprisse mais tempo de prisão além dos aproximadamente 18 meses que já havia passado na detenção, tempo que será considerado na pena final.

Detalhes da relação com espiões chineses

Rogers, que é cidadão americano e possui doutorado em economia, atuou como conselheiro sênior na divisão de finanças internacionais do Federal Reserve entre 2010 e 2021, tendo acesso a materiais não públicos sobre política monetária e deliberações do Comitê Federal de Mercado Aberto.

Os promotores argumentaram que o compartilhamento de informações antecipadas sobre as decisões de taxa de juros do Fed poderia permitir que Pequim gerasse “enormes lucros” com a negociação de seus aproximadamente US$ 1,5 trilhões em Títulos do Tesouro dos EUA. De acordo com o Departamento de Justiça, Rogers teria iniciado um relacionamento clandestino em 2017 com Hummin Lee, um agente de inteligência chinês que conheceu em uma conferência na China.

Durante reuniões em hotéis chineses, sob a aparência de ministrar aulas acadêmicas, Rogers teria transmitido informações do Fed. Ele imprimiu documentos restritos antes de viajar para a China, enviou materiais para sua conta pessoal após remover as marcações de classificação e repassou informações sensíveis a um professor da Universidade Fudan, conforme o comunicado do Departamento de Justiça. Em troca, ele recebeu cargos de professor universitário e benefícios financeiros, segundo os promotores.

Em uma entrevista com o inspetor geral em fevereiro de 2020, quando questionado diretamente se já havia compartilhado informações restritas do Fed fora do conselho, Rogers respondeu “nunca”, conforme relatado pelo Departamento de Justiça.

O ministério das Relações Exteriores da China não respondeu ao pedido de comentários da CNBC.