No dia 25 de junho, o Exército dos EUA anunciou a escolha da empresa REalloys para construir uma instalação de processamento de disprósio e térbio no Tooele Army Depot, em Utah. Esses dois minerais são essenciais para o funcionamento de ímãs de alto desempenho utilizados em armamentos, radares, sonar e motores elétricos.

A decisão reflete uma preocupação crescente com a dependência de suprimentos críticos, especialmente considerando que a China controla cerca de 91% do mercado global de separação e refino de terras raras, conforme dados da Agência Internacional de Energia. A falta de autonomia nessa área levanta questões sobre a segurança da cadeia de suprimentos de defesa dos EUA.

Importância Estratégica das Terras Raras

Segundo Dr. Jeff Waksman, Subsecretário Assistente do Exército dos EUA para Instalações, Energia e Meio Ambiente, “a capacidade de processar minerais críticos em solo americano é uma prioridade de defesa nacional necessária para munições, mísseis, sensores, baterias e as plataformas de que nossos soldados dependem.”

A escolha do Tooele Army Depot para a instalação é significativa, pois é a primeira vez que o Exército abriga processamento mineral comercial em uma instalação dos EUA. A REalloys se encarregará de financiar, construir e operar a planta, enquanto o Exército manterá a posse do terreno.

Desenvolvimentos em Terras Raras e Acordos Comerciais

A REalloys já possui uma trajetória na produção de metais de terras raras, com operações em Ohio e acordos de fornecimento no Canadá. Recentemente, a empresa firmou um contrato com o Saskatchewan Research Council (SRC), garantindo 80% da produção anual de óxido de disprósio e térbio, além de investir cerca de US$ 21 milhões na expansão da capacidade de produção da SRC.

Com a nova planta em Utah, a REalloys planeja converter óxidos de disprósio e térbio em metais antes de transformá-los em ligas em sua instalação no Ohio. O cronograma prevê que a SRC comece a produção comercial no início de 2027, coincidindo com a implementação de novas regras de aquisição do Departamento de Defesa dos EUA, que exigirão rastreamento rigoroso da origem dos materiais raros utilizados.

O investimento de US$ 100 milhões anunciado pela REalloys um dia após o anúncio da parceria com o Exército ressalta a importância e a urgência desse projeto. Embora o acordo ainda dependa da finalização do contrato de arrendamento, a movimentação do Exército em direção à produção interna de minerais críticos sinaliza uma nova era na segurança nacional e na autonomia industrial dos EUA.