David Willey, correspondente da BBC com mais de cinquenta anos de carreira, faleceu aos 93 anos na Itália, país que se tornou seu lar. Willey é amplamente reconhecido por seu trabalho como correspondente do Vaticano, onde acompanhou os papados de cinco pontífices, incluindo o Papa Francisco.

Durante sua longa trajetória, Willey também reportou de locais como Argélia, Vietnã e China. Sua experiência e conhecimento sobre o Vaticano o tornaram uma voz respeitada na cobertura religiosa. Willey escreveu um livro sobre o Papa Francisco e foi agraciado com a Ordem do Império Britânico (OBE) por seus serviços ao jornalismo.

Carreira e Contribuições

Willey iniciou sua carreira como trainee na agência de notícias Reuters e foi um dos repórteres que cobriram a assinatura do Tratado de Roma em 1957, documento que estabeleceu a Comunidade Econômica Europeia, precursor da União Europeia. Em suas memórias sobre o evento, ele recordou: 'Estava lá na enorme sala decorada com cenas de batalhas romanas antigas, quando os seis fundadores da Europa assinaram o Tratado.'

Após trabalhar como freelancer na Argélia, em 1964, Willey se tornou o correspondente da BBC para a África Oriental. Em seguida, ele relatou eventos significativos na Ásia, incluindo a Guerra do Vietnã e a China pós-revolução comunista. Contudo, seu trabalho mais memorável se deu em Roma, onde se tornou uma autoridade nas mudanças e desafios enfrentados pela Igreja Católica.

Legado e Reconhecimento

Um dos momentos mais marcantes de sua carreira foi a cobertura da tentativa de assassinato do Papa João Paulo II em 1981. Willey também teve a oportunidade de conhecer seu quinto papa, o recém-eleito Papa Leão, e refletiu sobre as transformações no Vaticano ao longo de sua vida, escrevendo: 'Percebi com certo choque que já sou quatro anos mais velho do que o falecido Papa Francisco.'

Ele apresentou seu livro, 'A Promessa de Francisco: O Homem, o Papa e o Desafio da Mudança', ao Papa Francisco em 2016. Em suas recordações sobre os primeiros dias de cobertura da Igreja, ele mencionou uma experiência em que dependia de um funcionário corrupto do Vaticano para obter textos de discursos papais antes de sua entrega.

David Willey faleceu de insuficiência cardíaca, mas até seus últimos dias, continuou a oferecer análises incisivas e apoio a novos jornalistas que o sucederam. Seu legado perdurará na história do jornalismo e na cobertura da Igreja Católica.