A divisão de jogos da Microsoft, Xbox, anunciou demissões que afetarão cerca de 3.200 funcionários, representando aproximadamente 20% de sua equipe. O comunicado, gerado pela nova CEO da divisão, Asha Sharma, ocorreu após um período de especulações sobre cortes de pessoal, que foram descritos por uma das desenvolvedoras como um "sangue frio".
Morgan Goin, designer sênior de encontros na ZeniMax Online Studios, ficou chocada ao saber que seu emprego estava entre os afetados. Apesar de já haver indícios de que demissões ocorreriam, a magnitude do corte foi inesperada. "Sabíamos que algo ia acontecer, mas não quem ou quanto", declarou Goin.
Cortes e suas implicações
Os cortes foram justificados pela liderança da Xbox como uma medida necessária para reposicionar a empresa em meio a um mercado de jogos em transformação. A estratégia visa concentrar recursos em títulos de maior sucesso, com a expectativa de lançar novas versões mais rapidamente.
No entanto, ex-funcionários levantam preocupações sobre a perda de décadas de experiência e talento, questionando se a empresa conseguirá atingir suas metas de crescimento. Desde 2022, a indústria de jogos tem enfrentado uma onda de demissões, com quase 58 mil empregos cortados globalmente, em parte devido a uma expansão excessiva durante a pandemia de Covid-19.
Reações e futuro incerto
Os colaboradores expressaram descontentamento com a falta de informações durante o período de incerteza que antecedeu os cortes. Autumn Mitchell, uma ex-teste de qualidade, mencionou a ansiedade entre os colegas sobre quem seria afetado. O silêncio da administração foi recebido com preocupação, resultando em um clima de incerteza.
Simon Prefontaine, designer de jogos na Bethesda Game Studios, também compartilhou sua surpresa com a escala das demissões, afirmando que a equipe não esperava uma redução tão drástica. Andrew Willis, ex-produtor da ID Software, descreveu a situação como devastadora, especialmente após meses de trabalho intenso no lançamento de um novo conteúdo para o jogo Doom.
A Xbox afirmou que, apesar das demissões, a equipe restante está apta a continuar desenvolvendo os jogos e tecnologias que a empresa é conhecida, embora muitos ex-funcionários contestem essa afirmação.
Com as demissões ainda em andamento e mais 1.600 cortes por vir, o clima entre os funcionários remanescentes é de apreensão. As organizações sindicais da Communication Workers of America (CWA) planejam protestos em locais da Microsoft para discutir condições de indenização e reintegração de funcionários.
Goin, que já enfrentou outras demissões em sua carreira de 11 anos na indústria, expressou a necessidade de apoio para aqueles afetados, ressaltando que a situação é angustiante para muitos. "Não deveria ser a exceção", concluiu.
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