Goiânia registra, em média, um caso de intolerância religiosa a cada 15 dias em 2026. Até o momento, 16 ocorrências foram registradas na Delegacia Estadual de Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e de Intolerância (Deacri).
A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) lançou o projeto Terreiro de Direitos, que visa aproximar a instituição das comunidades de terreiro e ampliar a proteção contra casos de racismo religioso. O projeto prevê visitas mensais a terreiros, inicialmente em 12 comunidades do Estado.
O projeto inclui rodas de conversa, oficinas de educação em direitos e orientação jurídica. A Defensoria também entregará placas para serem instaladas nas entradas dos espaços visitados, reforçando a proteção constitucional à liberdade religiosa e informando sobre o crime de racismo religioso.
Segundo o defensor público e subcoordenador de Questões Étnico-Raciais, Povos Originários e Tradicionais do Núcleo Especializado de Direitos Humanos (NUDH), Breno Assis, a placa tem um significado simbólico: demonstrar às comunidades que existe uma instituição pública acompanhando e protegendo aquele espaço.
Violência que nem sempre chega às delegacias
A Defensoria enfrenta o desafio de saber a dimensão real da violência contra os terreiros. As denúncias recebidas são muitas, mas há uma subnotificação dos casos, pois parte das vítimas não registra a ocorrência.
Entre os relatos recebidos pela instituição estão invasões e depredações de terreiros, destruição de objetos utilizados nos rituais e ameaças contra integrantes das comunidades. A situação é especialmente preocupante porque muitos desses espaços têm poucos recursos para reconstruir o que foi destruído.
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