Urnas eletrônicas em Campo Grande TRE-MS O governo dos Estados Unidos organiza o envio de dois altos funcionários do Departamento de Estado a Brasília com a missão de colocar em dúvida a transparência e a integridade do sistema eleitoral brasileiro, segundo revelou o jornal "The Washington Post" nesta sexta-feira (24), com base no relato de autoridades americanas e brasileiras sob condição de anonimato. A viagem estaria prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais do país, agendadas para 4 de outubro. De acordo com as informações apuradas pelo "The Washington Post", a delegação será composta por Riley M.

Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Samson é conhecido por viajar por diversos países promovendo a pauta conservadora e cultivando laços com grupos da direita, o que, em ocasiões anteriores gerou atritos com diplomatas e políticos tradicionais. Agora no g1 Reação do diplomacia brasileira e suspeitas sobre a missão A movimentação gerou forte reação nos bastidores do diplomacia nacional.

Segundo reportado pelo "The Washington Post", diplomatas seniores do Brasil disseram ter tomado conhecimento da manobra norte-americana e prometeram agir para impedir que os enviados intervenham no processo interno. Uma das autoridades ouvidas pelo jornal classificou a iniciativa como um "estratagema completamente incompatível com a democracia brasileira" e assegurou que o governo atuará para "proteger o sistema de votação". A suspeita das autoridades brasileiras é de que o objetivo dos enviados seja se reunir com críticos do sistema eleitoral e elaborar um relatório voltado a deslegitimar as urnas eletrônicas.

Em nota enviada ao "The Washington Post", o Departamento de Estado dos EUA confirmou a viagem dos diplomatas para Brasília, mas não respondeu às perguntas sobre o propósito da missão ou sobre eventuais preocupações com a integridade eleitoral brasileira. Escalada de tensões entre Washington e Brasília O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, batendo continência no início do jantar promido pela Casa Branca aos jornalistas correspondentes internacionais. Mandel Ngan / AFP O envio dos emissários representa um agravamento nas tensões diplomáticas entre os dois países.

O jornal americano destaca que o clima de atrito envolve divergências sobre: os limites da liberdade de expressão; tarifas comerciais recentes impostas pelos EUA a produtos brasileiros; e o processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado. Além disso, a iniciativa evidencia uma mudança no comportamento da diplomacia norte-americana. Um alto funcionário do próprio Departamento de Estado desabafou ao "The Washington Post" sobre essa transformação: "Antigamente, mobilizávamos nosso poder em situações de risco para defender a democracia.

Agora, enviamos nomeados políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outro país", afirmou a fonte ao jornal. A postura atual diverge do posicionamento adotado pelos EUA nas eleições brasileiras de 2022. Naquela época, o governo americano atuou para reforçar a estabilidade democrática e frear discursos golpistas, respaldando relatórios de inteligência que atestavam a total ausência de fraudes no sistema de votação do Brasil.