As expectativas são elevadas para os resultados do segundo trimestre dos grandes bancos dos Estados Unidos, que começam a ser divulgados na terça-feira, liderados pelo JPMorgan Chase e pelo Bank of America. A receita proveniente do comércio de ações e de renda fixa deve se aproximar ou até mesmo superar os recordes estabelecidos anteriormente neste ano.
Momento favorável para os bancos
Segundo o analista veterano Mike Mayo, do Wells Fargo, este é um momento crucial para o setor financeiro, que apresenta o que ele chama de "ponto ideal". Ambos os motores de lucro dos bancos — Wall Street e Main Street — estão em modo de crescimento simultaneamente.
Os maiores bancos dos EUA estão obtendo receitas crescentes ao ajudar empresas a acessar os mercados, um fato evidenciado pelo IPO da SpaceX no mês passado. Além disso, os traders que assumem riscos estão se beneficiando da instabilidade geopolítica, incluindo a guerra no Irã, que tem gerado volatilidade em diversas classes de ativos.
“Você viu o maior IPO da história, um ritmo de fusões que está a caminho de um ano recorde, e uma ampliação do comércio para incluir ações e renda fixa em várias geografias”, afirmou Mayo em entrevista à CNBC.
Crescimento em setores variados
Os resultados dos grandes bancos chegam em um momento incomum de otimismo para a indústria financeira. Após anos enfrentando taxas de juros elevadas e temores de recessão impulsionados pela inflação, os bancos estão colhendo os frutos de uma combinação rara de atividade crescente em Wall Street, crédito ao consumidor resiliente e uma recuperação esperada no crédito empresarial.
O JPMorgan, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo e Goldman Sachs devem divulgar seus resultados na terça-feira, enquanto o Morgan Stanley apresentará os seus na quarta-feira.
Além disso, a receita de banco de investimento do grupo pode aumentar em 26% em relação ao ano anterior, enquanto a receita de negociação pode crescer 14%, de acordo com o analista Chris McGratty, da KBW.
As taxas que a SpaceX pagou aos bancos, liderados pelo Goldman Sachs e Morgan Stanley, para o IPO e a captação de dívidas também contribuem para esse crescimento, além da possibilidade de gerenciar a riqueza de novos milionários e bilionários.
De acordo com Jay Ritter, professor emérito de finanças na Universidade da Flórida, os bancos também podem ter obtido "soft dollars" do IPO da SpaceX, que se refere a taxas pagas por fundos de hedge em troca de ações de um IPO superlotado.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar do cenário positivo, Mayo alertou que a recuperação no crédito comercial pode estar finalmente ganhando força, com os bancos buscando conquistar participação de mercado de credores privados. A demanda por crédito está aumentando, à medida que as empresas se adaptam à incerteza econômica.
A saúde do setor bancário também é apoiada por baixas taxas de desemprego, que mantêm os tomadores de crédito em dia com seus empréstimos. Entretanto, ainda existem riscos, como possíveis problemas no setor de crédito privado e uma crescente competição por depósitos que pode pressionar as margens dos bancos.
Após dois anos de retornos superiores ao mercado, os investidores estão mais preocupados em saber se esse ambiente favorável pode se sustentar no futuro.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.