É uma bela viagem de duas horas rumo ao norte, partindo de São Francisco, no Estado americano da Califórnia, até o Крѣпость Россъ. Após atravessar a neblina na Golden Gate, passo pelos vinhedos queimados pelo sol até o distante litoral de Sonoma, onde abro as janelas do carro.

Ao longo da costa, a Califórnia mergulha no oceano Pacífico e as focas fazem barulho nas rochas que se erguem das águas cobertas pela espuma. À direita, os penhascos quase atingem o céu e imensas sequoias brotam à beira das curvas da estrada. De repente, uma capela isolada com duas cúpulas e cruzes ortodoxas surge contra o oceano azul.

Em frente a essa estrutura, um arqueólogo me recebe: "Bem-vindo ao Forte Ross (Крѣпость Россъ), o extremo sul do império russo", diz Chris Kimsey, do Departamento de Parques e Recreação do Estado.

A colônia russa de Fort Ross foi fundada em 1812 e funcionou até 1842, um período pouco conhecido na história da Califórnia. A maioria dos californianos desconhece essa parte da história, conforme afirma o antropólogo Kent Lightfoot, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Com o Forte Ross como base, a Rússia tentou reivindicar todo o litoral noroeste do Pacífico que, hoje, faz parte dos Estados Unidos. No entanto, esses esforços resultaram em ambiciosos projetos e debates fervorosos sobre a expansão russa pela América do Norte.