A perda de peso com medicamentos GLP-1 é apenas uma parte do desafio. A manutenção desse peso a longo prazo tem se mostrado ainda mais difícil, com muitos pacientes abandonando o tratamento devido a efeitos colaterais, altos custos e fadiga com injeções. A Vivani Medical, uma empresa de biotecnologia, aposta em um implante de GLP-1, que poderá ser inserido sob a pele, como uma solução para esse problema.
O implante experimental de semaglutida, princípio ativo do medicamento Wegovy, da Novo Nordisk, e do Ozempic, está em fase inicial de desenvolvimento. Na terça-feira, a farmacêutica dinamarquesa anunciou um acordo com a Vivani para avaliar o implante NPM-139. A proposta é que o dispositivo seja utilizado como um tratamento de manutenção, após o paciente atingir uma dose adequada de semaglutida através de injeções ou pílulas.
O funcionamento do implante de semaglutida
O implante de semaglutida da Vivani é um pequeno reservatório de titânio que libera a medicação de forma contínua. A empresa planeja oferecer diferentes dosagens, permitindo que médicos e pacientes escolham a mais adequada após o uso inicial de injeções ou pílulas. O dispositivo possui uma membrana especializada que libera a semaglutida em um ritmo constante ao longo de meses, potencialmente diminuindo as flutuações nos níveis da droga que podem ocorrer com a administração periódica.
O CEO da Vivani, Adam Mendelsohn, destacou que o implante poderia ser uma opção conveniente, administrada apenas duas vezes ao ano, ou até uma vez por ano. A inserção do dispositivo seria rápida, realizada com anestesia local, e poderia ser feita durante consultas médicas regulares.
Desafios e perspectivas futuras
Embora o potencial do implante seja promissor, ele ainda precisa passar por testes clínicos e obter aprovações regulatórias antes de estar disponível para os pacientes. Especialistas, como a Dr. Miranda Stiewig-Rapp, diretora da Clínica de Obesidade da UC Davis Health, expressaram ceticismo sobre a eficácia e aceitação do dispositivo, enfatizando a necessidade de dados concretos.
Adicionalmente, a questão do custo do implante e a cobertura pelos planos de saúde, caso seja aprovado, ainda não estão claras. Isso complica a estimativa de vendas em um mercado de GLP-1 que pode ultrapassar US$ 100 bilhões até o início da década de 2030.
O dispositivo, se bem-sucedido, pode ajudar a enfrentar um dos maiores desafios no tratamento da obesidade: a manutenção da perda de peso a longo prazo. Especialistas acreditam que um implante de longa duração, que não exija atenção diária, pode ser uma alternativa viável para pacientes que enfrentam a fadiga de injeções ou dificuldades em lembrar de tomar pílulas regularmente.
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