Incêndios florestais estão se tornando mais extremos na Europa e na América do Norte, mas, paradoxalmente, as estatísticas globais de queimadas estão em níveis recorde de baixa. Essa situação é atribuída ao controle de queimadas em regiões da África e Ásia, conforme relatado por especialistas.
Contradições e causas das queimadas
O aumento da intensidade e frequência dos incêndios em algumas regiões contrasta com a redução global nas emissões de carbono provenientes de queimadas. Segundo Mike Flannigan, cientista do fogo da Thompson Rivers University, essa contradição é real e reflete as ações humanas em relação ao planeta.
Na Espanha, o incêndio florestal registrado neste verão é o maior da história do país, cobrindo mais de 500 quilômetros quadrados. Em comparação, as queimadas na América do Norte, incluindo Canadá e Estados Unidos, estão 25% acima da média dos últimos dez anos, e mais do que o dobro em relação a décadas passadas. Essas queimadas resultaram em severa poluição do ar em várias regiões.
Redução das queimadas em África e Ásia
De acordo com o centro climático Copernicus, as emissões globais de queimadas em julho deste ano atingiram o nível mais baixo desde que começaram as medições por satélite há quase 25 anos. Essa redução é atribuída, em grande parte, a mudanças nas práticas agrícolas e na gestão de incêndios em África e Ásia. Mark Parrington, cientista sênior do Copernicus, destacou que a atividade de fogo na África Subsaariana diminuiu significativamente nos últimos 25 anos devido à urbanização e à agricultura.
Estima-se que mais de 75% das emissões globais de queimadas provenham de África e Ásia, enquanto menos de 12,5% vêm da América do Norte e Europa. Em regiões como a savana africana, incêndios de grandes proporções eram comuns, mas agora são limitados devido à ocupação humana e práticas de manejo.
Impactos das mudanças climáticas
Na América do Norte e Europa, as mudanças climáticas também têm contribuído para o agravamento dos incêndios. Segundo John Abatzaglou, cientista do fogo da Universidade da Califórnia, o aquecimento global, resultante da queima de combustíveis fósseis, tem tornado as condições mais favoráveis a incêndios. O aumento das temperaturas e a secura do solo facilitam a combustão, enquanto a extensão da temporada de queimadas tem se ampliado.
Além disso, a ocorrência do fenômeno El Niño pode intensificar a atividade de incêndios nos próximos meses, especialmente em florestas tropicais. Embora o El Niño traga mais chuvas para o oeste dos Estados Unidos, pode aumentar a vegetação em desertos, criando condições propícias para incêndios futuros.
Os cientistas alertam que a preparação e adaptação para incêndios mais severos em regiões da América do Norte e Europa são essenciais, enfatizando que a questão não é se as paisagens vão queimar, mas quando isso acontecerá.
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