A Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, tem conquistado atenção não apenas pelos recordes de público e gols, mas também por uma série de polêmicas que a transformaram em um dos torneios mais controversos da história recente do futebol.

Veto a árbitro e as primeiras controvérsias

Antes mesmo do início das partidas, uma decisão do governo dos Estados Unidos gerou controvérsia ao impedir a entrada do árbitro somali Omar Artan no país, devido às regras de imigração americanas. Este incidente marcou a primeira vez que a FIFA teve que se adaptar às determinações do país-sede, levando o presidente da entidade, Gianni Infantino, a reconhecer que a organização não possui controle total sobre todas as decisões relacionadas ao evento.

Restrições à seleção do Irã

Outro episódio envolvendo questões políticas afetou diretamente a seleção do Irã. Em meio a tensões com os Estados Unidos, a delegação iraniana enfrentou diversas restrições desde a emissão de vistos. Jogadores e integrantes da comissão técnica receberam autorização para entrar no país apenas uma semana antes da viagem, enquanto dirigentes da federação iraniana tiveram suas entradas vetadas. Além disso, a equipe ficou hospedada em Tijuana, no México, e teve que cruzar a fronteira apenas nos dias das partidas, uma medida justificada pelo governo americano como parte de um esquema de monitoramento.

Dentro dos estádios, a tensão política também se refletiu: o hino iraniano foi vaiado por imigrantes que se opõem ao regime do país. Apesar dos desafios enfrentados, a seleção encerrou sua participação na competição invicta, com três empates.

Inspeção policial e pressão de Donald Trump

Um incidente notável ocorreu antes do jogo entre Uruguai e Arábia Saudita, em Miami, quando a delegação uruguaia foi submetida a uma revista policial completa na chegada ao estádio, um procedimento incomum durante uma Copa do Mundo.

A maior controvérsia, no entanto, envolveu a expulsão do atacante americano Folarin Balogun pelo árbitro brasileiro Rafael Klaus, que aplicou cartão vermelho ao jogador. A suspensão automática resultante foi posteriormente revista após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter conversado com Gianni Infantino, levando o Comitê Disciplinar da FIFA a anular a punição, permitindo que Balogun jogasse nas oitavas de final. Este tipo de intervenção não ocorria desde 1970, quando o cartão vermelho foi introduzido nas regras do torneio.

Comparações históricas e o legado da Copa

A interferência de Trump na decisão da FIFA foi comparada a um episódio emblemático da Copa de 1982, quando o xeque do Kuwait convenceu a arbitragem a anular um gol da França. Mais de quatro décadas depois, a Copa de 2026 reacendeu discussões sobre a influência da política no futebol.

Assim, enquanto os recordes dentro de campo são celebrados, a competição também ficará marcada por decisões polêmicas tomadas fora das quatro linhas, incluindo veto a árbitros, restrições a delegações e a interferência de um chefe de Estado, colocando a política em evidência e tornando esta edição da Copa uma das mais controversas da história recente.