Em abril de 2024, José Morales Bernal, aos 31 anos, cruzou a fronteira dos Estados Unidos, perto de três torres de vigilância equipadas com câmeras e inteligência artificial (IA) para detecção e rastreamento automático de pessoas.
Se o sistema funcionasse conforme planejado, Morales deveria ter sido interceptado. Se precisasse de assistência médica, agentes estariam treinados para fornecer. Nada disso aconteceu.
Morales morreu a apenas 360 pés da torre mais próxima. Foi descoberto por trabalhadores de um aterro local, não pelos agentes da Patrulha da Fronteira. Um autópsia concluiu que ele havia morrido devido a exposição ao ambiente.
Uma investigação pioneira do MIT Technology Review revela que mortes como a de Morales são comuns. Ao mapear quase 4.000 locais onde foram encontrados restos humanos contra informações sobre cerca de 600 torres de vigilância, os pesquisadores descobriram que uma crise humanitária na fronteira ocorreu em vista das próprias câmeras governamentais.
Problemas sistêmicos na ‘muralha virtual’
A investigação aponta falhas sistemáticas: torres danificadas, algoritmos que falham em detectar pessoas e agentes que simplesmente não respondem a alertas. O governo planeja gastar outro bilhão de dólares para triplicar o tamanho da ‘muralha virtual’, mas os dados mostram que ela não está funcionando como deveria.
Consequências e recomendações
Um levantamento feito pelo Times of San Diego identificou pelo menos 138 casos desde 2022 em que restos de migrantes foram encontrados dentro do alcance nominal de uma torre de vigilância próxima. As autoridades sugerem quatro ideias para corrigir essas falhas, incluindo melhorias na manutenção das torres e atualizações nos algoritmos de IA.
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