O Irã acusou os Estados Unidos nesta sexta-feira (17) de realizar bombardeios que atingiram infraestrutura civil no sul do país, incluindo pontes e uma estação de bombeamento de água. Em resposta, Teerã lançou ataques aéreos contra bases e aeronaves militares norte-americanas localizadas na Jordânia, no Kuwait e na Síria.

De acordo com a Guarda Revolucionária iraniana, os EUA realizaram um "grande crime de guerra" ao atacar alvos civis em Bandar Abbas, no sul do Irã. O exército norte-americano, segundo o comunicado, utilizou suas bases na Jordânia para executar os ataques. A Guarda Revolucionária também divulgou um vídeo mostrando pontes destruídas na cidade de Bandar Khamir, próxima a Bandar Abbas, onde sete pessoas perderam a vida, conforme reportado pela agência Irna.

O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, condenou os ataques dos EUA contra a infraestrutura civil e reiterou as acusações de crimes de guerra. Em resposta, a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido aeronaves de combate e de reabastecimento dos EUA estacionadas em Al Azraq, na Jordânia, com o uso de mísseis balísticos e drones, alegando ter destruído jatos de guerra norte-americanos e causado danos a muitos outros aviões militares.

Retaliação a bases militares dos EUA

No Kuwait, a Guarda Revolucionária informou que atacou sistemas de defesa aérea e depósitos de armamentos, provocando um incêndio significativo em uma base militar norte-americana. Além disso, foi relatado um bombardeio contra um centro de comando de operações especiais dos EUA em al-Tanf, na Síria, como retaliação a um ataque anterior que resultou na morte de soldados iranianos em Iranshahr, conforme reportado pela agência Tasnim.

Até a última atualização desta reportagem, nem o Exército dos EUA nem a Casa Branca haviam se manifestado oficialmente sobre os ataques realizados pelo Irã.

Escalada do conflito na região

A atual escalada entre os EUA e o Irã marca uma nova fase no conflito que se intensifica desde o final de fevereiro. Após um período de cessar-fogo de alguns meses, um acordo de paz preliminar assinado em junho desmoronou, levando a uma troca constante de bombardeios nos últimos dias.

O governo iraniano afirmou que os ataques dos EUA resultaram em 38 mortes e mais de 400 feridos no Irã desde 22 de junho. A retomada do conflito também está impactando diversos países do Golfo Pérsico que abrigam bases militares dos EUA, como Catar, Jordânia, Omã, Kuwait e Bahrein, os quais têm relatado interceptações diárias de mísseis disparados por Teerã.

O governo do Kuwait, por sua vez, acusou o Irã de bombardear uma usina de energia e dessalinização de água, afetando a infraestrutura vital e a rede elétrica do país.