O Irã apresentou uma contraproposta em resposta à oferta de Omã para a gestão conjunta do Estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte de petróleo e gás natural. A proposta iraniana busca garantir um controle mais significativo sobre a região, conforme informações divulgadas pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, em uma transmissão estatal.

Gharibabadi afirmou que a proposta de Omã não abordou de forma adequada as preocupações de Teerã em relação ao controle do estreito. O estretito é um ponto central nas tensões entre os Estados Unidos e o Irã desde o início dos ataques US-Israelitas ao Irã, em fevereiro. Antes dos conflitos, cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo era transportado por essa rota. Após o início da guerra, o Irã fechou o estreito, provocando desafios globais de suprimento e levando os EUA a imporem um bloqueio correspondente aos portos iranianos.

Propostas em debate

O acordo que deveria reabrir o estreito para o tráfego marítimo, conforme um memorando de entendimento assinado entre Irã e EUA em 17 de junho, resultou em desavenças significativas sobre quem detém o controle final sobre a via, que passa pelas águas territoriais do Irã e de Omã. O desentendimento levou a um aumento nas hostilidades, com ataques renovados entre os dois países.

Sobre a proposta de Omã, Gharibabadi revelou que Muscat sugeriu a criação de um mecanismo regional conjunto, dividindo o controle do estreito em partes iguais. Essa proposta inclui o controle das rotas de trânsito na parte iraniana do estreito, enquanto Omã gerenciaria as rotas ao longo de sua costa. A ideia é semelhante a um acordo vigente no Estreito de Malaca, onde países como Indonésia, Malásia e Singapura pedem contribuições voluntárias de embarcações para financiar operações de navegação e proteção ambiental.

Reações e implicações

A proposta de Omã está sendo considerada por outros países da região, conforme reunião dos ministros das Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo. No entanto, Gharibabadi reiterou que o Irã rejeitou a proposta devido a preocupações de segurança nacional. A contraproposta do Irã sugere que um dos canais de navegação fique totalmente dentro de suas águas territoriais, permitindo supervisão efetiva do tráfego marítimo.

Além disso, Gharibabadi alertou que o estreito permanecerá fechado se Omã não aceitar a nova proposta. Ele também enfatizou que as condições pré-guerra, onde não havia cobrança de taxas para a passagem, não podem ser restabelecidas. Informações indicam que Omã está considerando outra proposta que prevê três rotas para o tráfego marítimo, o que pode indicar uma certa flexibilidade nas negociações.

Outros pontos de discórdia incluem a direção das embarcações, taxas a serem cobradas e operações de desminagem na área. O Irã, por sua vez, propôs uma taxa de serviço de um milhão de dólares por navio, em contraste com os 70 milhões anuais arrecadados pelo Estreito de Malaca através de contribuições voluntárias.