A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, declarou, nesta segunda-feira (13.jul.2026), que o rótulo de "gastadeira", utilizado nas redes sociais para se referir a ela, é um exemplo de "misoginia pura". Durante uma entrevista concedida a Daniela Lima e Fernando Canzian, em uma parceria entre UOL e Folha de S.Paulo, Janja explicou que suas viagens em classe executiva são motivadas por questões de segurança, e não por preferências pessoais.

Janja destacou que segue regras específicas de deslocamento definidas para sua proteção. De acordo com suas declarações, a Polícia Federal é a responsável por sua segurança e, em caso de incidentes, seria a responsável pelas consequências. "Não viajo na econômica porque tem alguns regramentos que eu tenho que seguir", afirmou.

Além disso, a primeira-dama mencionou que busca se hospedar em embaixadas brasileiras durante suas viagens internacionais, também por motivos de segurança e logística. Ela ressaltou que a sociedade brasileira "nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente". Segundo Janja, ela realiza atividades diárias no Palácio do Planalto, participa de reuniões, faz viagens oficiais e mantém uma agenda pública ativa, o que pode causar estranhamento, visto que esse modelo não era comum em administrações anteriores.

Demandas por legislação contra misoginia

Ao abordar a questão da misoginia, Janja enfatizou a importância da aprovação de um projeto de lei que tipifica esse crime, que atualmente está parado na Câmara dos Deputados. Ela expressou sua expectativa de que a proposta seja votada nesta terça-feira (15.jul.2025). "Vamos ver realmente quem defende a vida das mulheres nesse país", declarou.

Arquivamento de processos pelo TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou, por unanimidade, em 1º de abril de 2026, quatro processos relacionados aos gastos de Janja em viagens internacionais desde 2023. As denúncias, que foram reunidas em um único processo em novembro de 2025, foram apresentadas por congressistas da oposição e questionavam o uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), passagens em classe executiva e a participação da primeira-dama em compromissos no exterior antes da chegada do presidente Lula.

O relator do caso, ministro Bruno Dantas, afirmou que não foram encontrados indícios de desvio de finalidade no uso de servidores ou recursos públicos. O acórdão mencionou o decreto nº 12.604 de 2025, que formalizou o apoio do Gabinete Pessoal da Presidência às atividades da primeira-dama. Essa decisão está alinhada com o entendimento de pedidos anteriores já arquivados pela corte, incluindo uma representação sobre os gastos da comitiva de Janja em Paris durante os Jogos Olímpicos de 2024.