Um novo estudo revela que os videogames podem ser uma ferramenta eficaz para ajudar mães a lidar com o estresse da parentalidade, embora a culpa e as responsabilidades familiares ainda sejam barreiras significativas. A pesquisa, realizada na Austrália, destaca a experiência de 38 mães que se identificam como gamers.
O contexto da parentalidade e o estresse
A criação de filhos envolve um trabalho emocional, mental e físico considerável. Na Austrália, as mães continuam a ser as principais responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado e, segundo a pesquisa, enfrentam uma carga parental maior do que os pais. O estudo aplicou um modelo de recuperação do estresse, que avalia como atividades de lazer proporcionam alívio do estresse relacionado ao trabalho, permitindo o distanciamento psicológico, o relaxamento, a aquisição de novas habilidades e o controle sobre ações e resultados.
Benefícios do jogo para a recuperação do estresse
Os resultados mostraram que a prática de videogame melhorou o bem-estar nas três primeiras dimensões do modelo, enquanto o controle foi limitado pelas responsabilidades parentais, pela culpa e pelo design dos jogos. A maioria das mães (65%) preferiu jogar sozinha, o que facilitou o distanciamento das funções de cuidadora. Setenta e um por cento das participantes afirmaram que o jogo melhorou sua saúde mental. Uma mãe explicou: “Jogo muito com meus filhos e online, mas, na maioria das vezes, prefiro jogar sozinha para recarregar minha bateria social.”
O relaxamento foi encontrado em diversos gêneros de jogos, como ação-aventura, RPG e simulação. Oitenta por cento das mães jogam em PCs ou consoles, com títulos populares como Pokémon, Minecraft e Mario Kart. Noventa e um por cento relataram que jogar as ajudou a relaxar, e 71% sentiram-se menos estressadas após jogar. Uma participante comentou: “O jogo é minha principal forma de relaxamento e alívio do estresse, e a atividade que mais gosto.”
Desafios e limites na experiência de jogo
A recuperação do estresse foi mais restrita na dimensão do controle. As responsabilidades parentais moldam as práticas de jogo, com a pressão do tempo e a presença das crianças limitando quando, como e o que as mães podem jogar. Uma mãe afirmou: “Só jogo quando meu filho vai dormir à noite. Não jogo com ele por perto, pois me concentro na parentalidade.”
A culpa em relação ao tempo dedicado aos jogos também foi identificada como um obstáculo. Muitas mães sentem que precisam justificar seu tempo de jogo em meio às obrigações familiares. Uma delas comentou: “Sinto culpa ao jogar, sempre há algo mais importante a ser feito.” Além disso, elementos restritivos de design dos jogos dificultam o controle das mães sobre suas experiências de jogo, tornando alguns jogos incompatíveis com a realidade da parentalidade.
Os resultados do estudo indicam que, apesar dos desafios, o jogo pode ser uma ferramenta poderosa para a recuperação do estresse das mães. Para que essa prática seja mais acessível, é necessário mudar a percepção sobre as mães como jogadoras autônomas e incentivar desenvolvedores a criar jogos que permitam mais interrupções e controle.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.