Keiko Fujimori assume a Presidência do Peru nesta terça-feira (28) durante uma sessão solene no Congresso, em Lima. A cerimônia representa o retorno da direita ao poder e conta com a presença do presidente argentino Javier Milei, entre outros dignitários.

Após vencer o segundo turno das eleições contra Roberto Sánchez, realizado em 7 de junho, Keiko se tornou a primeira da família Fujimori a ocupar o cargo em 26 anos. O resultado oficial foi divulgado em 3 de julho, com uma margem apertada de apenas 49.641 votos entre os candidatos. Esta foi sua quarta tentativa de se eleger, sendo a primeira vez que não ficou em segundo lugar, como nas três ocasiões anteriores.

Sánchez, que não reconheceu o resultado, declarou que recorrerá a instâncias internacionais para contestar a eleição.

Desafios e Crise Política

Em seus discursos, Keiko Fujimori tem enfatizado a necessidade de união em um país que enfrenta uma profunda divisão política. Ela assume o cargo em um contexto de crise política que se arrasta por mais de uma década, marcado pela destituição de vários presidentes.

Keiko receberá a faixa presidencial do atual presidente interino, José María Balcázar Zelada, que foi escolhido pelo Congresso para um mandato temporário após a destituição de José Jerí. A nova presidente encontrará um Legislativo fragmentado, já que sua legenda, a Força Popular, possui as maiores bancadas com 41 deputados e 22 senadores, mas não alcança a maioria necessária para governar sem alianças.

Participação Internacional e Expectativas

Entre os convidados da cerimônia, além de Javier Milei, estão o rei Felipe VI da Espanha e presidentes de diversos países da América Latina, como José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador). Os Estados Unidos também enviarão uma delegação liderada pelo vice-secretário de Estado, Christopher Landau, e há expectativa por representantes do Japão, China e Marrocos.

Aos 51 anos, Keiko Fujimori é uma figura política conhecida no Peru desde a adolescência, quando acompanhou seu pai, Alberto Fujimori, em compromissos oficiais. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, ela foi eleita para o Congresso em 2006, obtendo a maior votação já registrada para um parlamentar peruano. Entre 2018 e 2020, enfrentou questões legais relacionadas a suposto financiamento irregular de campanha, mas o caso foi arquivado.