O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta terça-feira (28.jul.2026) que não tem intenção de entrar em conflito com a China ou os Estados Unidos, enfatizando que o Brasil carece de capacidade militar e tecnológica para tal. A afirmação foi feita durante sua participação na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, realizada em Niterói (RJ).
Lula abordou a crescente disputa global por recursos como terras raras, inteligência artificial e tecnologia ao afirmar: “Vocês acham que eu quero brigar com a China? Eu não sou louco. Vocês acham que eu quero brigar com os Estados Unidos? Eu não sou louco. Eu não tenho nem os aviões que ele tem, nem os tanques que ele tem, nem as bombas que eles têm, nem o dinheiro que eles têm, nem o conhecimento científico e tecnológico que eles têm”.
Embora reconheça a desvantagem, o presidente propôs uma estratégia focada em educação e pesquisa, ressaltando que o Brasil deve “estudar mais”, “investir mais” e “pesquisar mais” para se equiparar aos concorrentes. Ele também manifestou o desejo de desenvolver um modelo próprio de inteligência artificial, que reflita os “anseios da humanidade” e a realidade brasileira, em vez de ser uma mera extensão da disputa entre os EUA e a China.
Defesa Nacional e Recursos Críticos
Durante o discurso, Lula destacou a necessidade de o Brasil elaborar um plano de defesa, semelhante ao que pretende para as áreas de pesquisa e educação. Ele argumentou que a extensão territorial do país e suas reservas de terras raras e minerais críticos, além do pré-sal, demandam uma capacidade de proteção robusta.
“Se a gente não tiver defesa, a gente não toma conta”, afirmou o presidente, insistindo que o país não pode depender do que sobra do orçamento para investimentos em áreas estratégicas.
Além disso, Lula solicitou a formulação de um plano de investimento em ciência e tecnologia para os próximos dez anos, prometendo levá-lo ao Congresso Nacional caso considere a proposta viável.
Relações Bilaterais e Tensão com os EUA
A declaração de Lula surge em um contexto de tensões entre Brasília e Washington. Nos primeiros seis meses deste ano, o presidente brasileiro criticou Donald Trump (Partido Republicano) em 42 ocasiões, segundo levantamento do Poder360. A relação se deteriorou ainda mais após os EUA classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas em maio e proporem uma tarifa adicional ao Brasil em junho.
Recentemente, o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que desejavam visitar Brasília para reuniões com autoridades eleitorais. A avaliação do governo brasileiro é de que as novas medidas dos EUA, incluindo a tarifa, têm motivações políticas ligadas à disputa eleitoral.
No último domingo (26.jul.2026), Lula manteve uma conversa telefônica com Xi Jinping, que durou mais de uma hora. Este foi o primeiro contato direto entre os dois líderes desde que os EUA aplicaram novas tarifas ao Brasil. Segundo o Itamaraty, os líderes discutiram temas como minerais críticos e cooperação em inteligência artificial.
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