O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10.jul.2026) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), "pode começar a se preocupar com o Brasil" ao discutir o potencial do país no setor de terras-raras e minerais críticos. A declaração foi feita durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, onde foram abordadas estratégias brasileiras para o segmento.

"Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a se preocupar com o Brasil, porque nós vamos ser capazes de fazer as mesmas coisas ou até melhor do que os chineses", disse Lula, destacando a competitividade do Brasil nesse setor.

O presidente enfatizou que seu objetivo não é que o Brasil se torne um "vendedor de matéria-prima", mas sim um "exportador de inteligência". A reunião contou com a presença de ministros e especialistas do setor, refletindo a importância crescente do debate sobre minerais críticos no governo e no Congresso nos últimos meses. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras-raras.

Em maio de 2026, Lula já havia defendido a criação de um fundo nacional para gerenciar os recursos provenientes de minerais estratégicos. Na ocasião, ele comentou que o governo visa evitar a repetição do modelo histórico de exportação de minério de ferro, que se baseia apenas na venda de matéria-prima.

Inveja da China

Durante a mesma reunião, Lula também mencionou que Trump tem "inveja" do conhecimento da China sobre terras-raras. O presidente brasileiro afirmou: "Nessa reunião ficou claro o potencial de conhecimento que o Brasil tem em todas essas coisas, que parece uma coisa só da China, obcecada em ser a única do mundo, e da inveja do Trump de querer tomar o conhecimento da China".

Esses comentários refletem uma estratégia mais ampla do governo brasileiro em posicionar o país como um competidor relevante no mercado global de minerais críticos. A ênfase na inteligência e na inovação pode ajudar a moldar o futuro do setor mineral no Brasil, que busca se distanciar do modelo tradicional de exportação apenas de matérias-primas.

O fortalecimento da indústria de terras-raras é considerado essencial para a transição energética e para a tecnologia moderna, o que aumenta a relevância do Brasil nesse contexto. A discussão sobre o papel do país no mercado global desses minerais críticos deve continuar a ganhar destaque nas agendas política e econômica nacional.