Moradores de Damasco afirmam que o fornecimento de eletricidade pelo governo melhorou recentemente, mas expressam preocupação com os altos custos da energia.
Nasri Tadros, proprietário de uma loja no centro da capital síria, destaca que utiliza geradores e baterias para manter seus negócios funcionando. Ele relata que, embora os cortes de energia ainda sejam frequentes, a situação melhorou, com fornecimento de eletricidade variando entre cinco a seis horas seguidas antes de novas interrupções.
Condições atuais e desafios históricos
O contexto da energia na Síria é marcado por décadas de instabilidade. Durante o regime dos Assad, tanto o pai Hafez quanto o filho Bashar deixaram o país em ruínas. A revolta popular de 2011 foi brutalmente reprimida, levando a uma queda acentuada na infraestrutura, incluindo a elétrica.
A partir de 2023, antes da saída de Bashar al-Assad, a Síria dependia majoritariamente de gás natural (52%) e petróleo (45%) para sua eletricidade, com apenas 3% proveniente de energia hidrelétrica e uma quantidade ainda menor de solar, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).
Em junho de 2025, o Banco Mundial aprovou uma doação de US$ 146 milhões para melhorar a oferta de eletricidade e desenvolver o setor. Com a recente movimentação do governo do presidente Ahmed al-Sharaa para o nordeste da Síria, a região produtora de petróleo se tornou uma prioridade.
O impacto das sanções e a busca por alternativas
A produção de petróleo na área, antes controlada pelas Forças Democráticas Sírias, aumentou de cerca de 10.000 barris por dia para aproximadamente 100.000 barris, com potencial para alcançar 200.000 barris até o final do ano. O governo sírio também firmou acordos de importação de gás com países como Azerbaijão, Jordânia e Egito, além de um contrato de US$ 7 bilhões com empresas do Catar, Turquia e Estados Unidos.
John Calabrese, um especialista do Middle East Institute, observa que as tarifas para os consumidores foram reestruturadas e a energia solar tem ajudado, embora de maneira limitada. No entanto, a acessibilidade continua sendo um problema significativo. Muitos sírios, com quase 90% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, não conseguem arcar com os custos iniciais elevados dos painéis solares.
As dificuldades relacionadas à oferta de combustível também permanecem. O ministro de energia anunciou recentemente que a distribuição de diesel e gasolina seria acelerada para atender à demanda crescente.
Um proprietário de loja que preferiu não ser identificado expressou sua frustração com a situação: “No primeiro mundo, a eletricidade é um direito. Aqui, é um sonho”, enfatizando a realidade desafiadora que muitos sírios enfrentam diariamente.
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