Um estudo recente revelou os motivos pelos quais a estrela Theta Eridani foi considerada uma das mais brilhantes do céu há mil anos, conforme registros de astrônomos antigos como Ptolomeu e al-Sufi. De acordo com a pesquisa, Theta Eridani, um sistema estelar situado a cerca de 167 anos-luz da Terra, apresentava um brilho muito superior ao atual.
Histórico e descobertas sobre Theta Eridani
Os registros históricos indicam que Ptolomeu, no século II d.C., e al-Sufi, em 964 d.C., incluíram Theta Eridani entre as 13 estrelas mais brilhantes do céu. Hiparco, um astrônomo grego, também pode ter feito referência a essa estrela. Para ser parte desse seleto grupo, a estrela precisaria ser muito mais luminosa do que é atualmente, uma questão que intrigou os cientistas por mais de um século.
Originalmente, Theta Eridani era considerada uma única estrela, mas o astrônomo italiano Giuseppe Piazzi a classificou como um sistema binário em 1814. Estudos modernos revelaram que Theta 1 Eridani e Theta 2 Eridani, que compõem o sistema, são, na verdade, um sistema de três estrelas, sendo Theta Eridani Aa (o primário) e Ab (o companheiro próximo).
Resultados da pesquisa e implicações
Os pesquisadores Idel Waisberg e Boaz Katz, autores do artigo intitulado "A estrela brilhante esquecida: Theta Eridani como um transiente estelar milenar observado por Hiparco, Ptolomeu e al-Sufi", calcularam que o brilho antigo de Theta Eridani era em torno de V ≈ 0.2, comparado ao V atual de 2.9. Essa diferença de aproximadamente 2.7 na magnitude visual é a maior entre cerca de mil estrelas documentadas na obra Almagest de Ptolomeu.
Os pesquisadores utilizaram dados de observatórios e telescópios para determinar os parâmetros orbitais e as massas do sistema binário interno. Eles descobriram que Theta Eridani Aa e Ab formam um binário excêntrico com um eixo semimajor de apenas 0.083 unidades astronômicas, o que é menos de um décimo da distância entre a Terra e o Sol.
Segundo os autores, o brilho temporário da Theta Eridani foi resultado de uma fase transitória milenar, impulsionada pela extração de energia orbital durante uma fase de "envelope comum". Isso ocorreu quando a estrela primária atingiu seu lóbulo de Roche, resultando em transferência de massa para a estrela menor, aumentando o brilho por séculos. Atualmente, o sistema se estabilizou em uma configuração menos excêntrica.
Os pesquisadores também notaram que a estrela primária está em uma fase especial de evolução, tendo completado a fusão de hidrogênio em seu núcleo, o que a tornaria uma gigante vermelha. Essa expansão aumentaria sua área de superfície e, consequentemente, seu brilho.
Os autores sugerem que fenômenos semelhantes podem ocorrer em outros sistemas binários próximos, o que poderia oferecer novas perspectivas sobre a evolução estelar.
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