Pesquisadores da Oregon State University desenvolveram uma nova terapia experimental que demonstrou aumentar em 50% a sobrevivência de camundongos com glioblastoma, uma das formas mais agressivas de câncer cerebral. Essa abordagem inovadora busca superar duas barreiras significativas que dificultam o tratamento da doença: a barreira hematoencefálica e a necessidade de atingir as células tumorais sem danificar o tecido saudável.

Nanopartículas revestidas de açúcar como solução

A pesquisa, liderada por Oleh Taratula, Olena Taratula e Yoon Tae Goo, da Faculdade de Farmácia da OSU, concentrou-se em nanopartículas lipídicas que transportam material genético visando restaurar a produção de uma proteína essencial para controlar o crescimento tumoral. As nanopartículas foram revestidas com uma camada de açúcar, o que facilitou sua entrada no cérebro e a concentração dentro dos tumores.

De acordo com os resultados publicados na revista Journal of Controlled Release, a terapia aumentou o tempo médio de sobrevivência dos camundongos com glioblastoma. A escolha do açúcar usado no revestimento foi o manose, que possui uma estrutura semelhante à glicose, o principal combustível energético do corpo. As células que revestem os vasos sanguíneos do cérebro contêm um transportador chamado GLUT1, que normalmente transporta glicose. O GLUT1 também pode reconhecer o manose, permitindo que as nanopartículas revestidas utilizem o mesmo caminho para atravessar a barreira hematoencefálica.

Restaurando a expressão de proteínas antitumorais

As nanopartículas transportaram RNA mensageiro (mRNA) que instrui as células a produzir PTEN, uma proteína que desempenha um papel fundamental na prevenção do crescimento descontrolado de tumores. A expressão do PTEN é frequentemente ausente ou inativa nas células de glioblastoma.

Para garantir que o mRNA não se degradasse antes de atingir seu alvo, os pesquisadores incorporaram um derivado de colesterol com carga positiva, que ajudou a manter o material genético protegido dentro das nanopartículas. As células de glioblastoma apresentam níveis anormalmente altos de GLUT1, o que favorece o acúmulo das partículas revestidas de açúcar nos tumores após a travessia da barreira.

“O glioblastoma é reprogramado metabolicamente e expressa GLUT1 em três vezes os níveis do tecido cerebral normal, o que faz com que as partículas se acumulem preferencialmente no tecido tumoral após cruzar a barreira hematoencefálica”, afirmou Olena Taratula. “Restaurar a expressão do PTEN nas células tumorais reinstitui o controle do crescimento, resultando em redução do tumor sem toxicidade mensurável nos órgãos.”

O glioblastoma afeta aproximadamente 3,19 pessoas a cada 100 mil nos Estados Unidos, com uma taxa de sobrevivência de menos de 30% após dois anos do diagnóstico. Mais de 95% dos pacientes falecem em até cinco anos após a confirmação da doença. O estudo contou ainda com a colaboração de outros pesquisadores da Faculdade de Farmácia da OSU e foi financiado por institutos de saúde dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.