Um ônibus de turismo que transportava representantes do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha e jornalistas partiu da cidade de Rostock, localizada no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, em direção a Salzwedel, na Saxônia-Anhalt, percorrendo uma região quase desabitada. Este local corresponde ao antigo limite entre a República Federal da Alemanha (RFA), conhecida como Alemanha Ocidental, e a República Democrática Alemã (RDA), ou Alemanha Oriental, que foi uma divisão entre dois blocos de poder global até a queda do Muro de Berlim, em 1989.
Transformação do antigo divisor em reserva natural
Andreas Heil, do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha, é responsável pela iniciativa do "Cinturão Verde", uma reserva natural que se estende por quase 1.400 quilômetros e varia entre 50 e 200 metros de largura. Ele descreveu a antiga faixa de separação como um "corredor da morte" e afirmou: "Hoje, é exatamente o oposto: algo que une as pessoas".
O Ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider, natural de Erfurt, na antiga RDA, destacou a importância da antiga faixa militar para a natureza. "Com a estrada militar fechada e sem acesso — pelo menos para mim, como cidadão comum da RDA — espécies que não são encontradas em outros lugares puderam se estabelecer aqui, mesmo após a reunificação", explicou.
Espécies ameaçadas e proteção ambiental
Conforme informações do ministério, aproximadamente 7.500 espécies de insetos e aranhas foram identificadas no "Cinturão Verde", sendo 580 delas ameaçadas. Animais como lontras, gatos selvagens europeus, rouxinóis e perdizes também habitam a área, 88% da qual está sob proteção para garantir a sobrevivência dessas espécies.
Além disso, a região abriga turfeiras, que são quase inexistentes na Alemanha. Um passadiço permite que visitantes explorem um grande pântano de turfa que ocupa 400 hectares nas proximidades de Salzwedel. Nathalie Niederdrenk, também do ministério, explicou que muitas áreas foram drenadas antes da queda do Muro, no século 19 e 20, e foram totalmente convertidas para uso agrícola.
Ao longo do "Cinturão Verde", agora dotado de ciclovias, há placas que indicam onde estava a antiga fronteira, além de painéis informativos sobre a fauna e a flora da região.
Olaf Bandes, diretor da Federação Alemã para o Meio Ambiente e Conservação da Natureza (BUND), ressaltou a relação especial da organização com a área. "Aqui começamos a adquirir as primeiras parcelas ao longo do 'Cinturão Verde' em 2000, utilizando doações do BUND e financiamento do Ministério do Meio Ambiente. Tornou-se nosso maior projeto, abrangendo 1.000 hectares", afirmou.
Bandes alertou sobre a necessidade de proteger a área contra a invasão da agricultura, que pode prejudicar o ecossistema. Recentemente, os estados da Turíngia, Baviera e Saxônia decidiram preservar permanentemente um trecho de aproximadamente 95 quilômetros do "Cinturão Verde" até 2028, com um plano de gestão orçado em um milhão de euros, sendo 75% deste valor cobertos pelo Ministério do Meio Ambiente da Alemanha.
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