Oeste da Europa enfrentou seu junho mais quente já registrado em 2023, conforme relatado pelo monitor climático da União Europeia. O fenômeno ocorreu em meio a uma intensa onda de calor que se espalhou pelo continente, que está se aquecendo de forma acelerada. O mês de junho foi severo, com a formação de uma "cúpula de calor" – um sistema de alta pressão que atua como uma tampa em uma panela fervente – resultando em temperaturas recordes em diversos países.
A temperatura média na região alcançou 20,74°C, superando em mais de 3°C a média de 1991-2020, segundo o Serviço de Mudança Climática Copernicus da UE. Esse novo recorde rompeu a marca anterior, estabelecida em junho de 2025.
Impactos da onda de calor
O relatório surge em um momento em que uma nova onda de calor atinge a Europa nesta semana, após uma onda recorde em junho e um período de calor incomumente cedo em maio. Samantha Burgess, líder de estratégia climática do Centro Europeu de Previsão do Tempo de Médio Prazo, que opera o Copernicus, destacou que “veremos mais ondas de calor em um mundo mais quente”.
Segundo Burgess, essas ondas serão mais intensas, durarão mais e afetarão uma área geográfica maior. O Copernicus também informou que junho foi o segundo mais quente do mundo, com temperaturas globais 1,39°C acima da média pré-industrial, entre 1850 e 1900.
Consequências para a saúde e o meio ambiente
A onda de calor resultou em milhares de mortes, principalmente na França, Espanha e Bélgica. Mais de dois terços da população europeia – cerca de 410 milhões de pessoas – enfrentaram temperaturas superiores a 35°C durante a onda de calor entre 15 e 30 de junho, de acordo com uma análise da AFP.
O evento teve severos impactos à saúde, incluindo mortes relacionadas ao calor. A alta umidade foi um dos fatores que intensificou a onda, conforme Burgess explicou: “Foi extremamente úmido, o que significou que as pessoas não tiveram alívio à noite. Tivemos várias noites tropicais seguidas”.
O Mar Mediterrâneo também registrou uma onda de calor marinha recorde, enquanto as costas atlânticas da Europa enfrentaram ondas de calor, colocando em risco os ecossistemas locais. A elevação das temperaturas da água dificultou a recuperação noturna, uma vez que não havia brisas marítimas para amenizar o calor.
Além disso, as condições secas aumentaram os riscos de seca no leste europeu e contribuíram para a atividade de incêndios florestais na Península Ibérica e no sul da França. O grupo World Weather Attribution afirmou que a onda de calor de junho foi a “mais severa já registrada” na Europa, e que um evento semelhante em 2003 teria sido cerca de 2°C mais frio sem a influência das mudanças climáticas.
Burgess enfatizou a necessidade de planos de adaptação para lidar com as mudanças climáticas, destacando que muitos edifícios na Europa foram construídos há centenas de anos, em um clima que já não existe mais. Ela também alertou que o mundo precisa atingir emissões líquidas zero o mais rápido possível, já que “as ondas de calor só piorarão quanto mais emissões de combustíveis fósseis liberarmos na atmosfera”.
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