A pesquisa Quaest, divulgada a menos de três meses do primeiro turno das eleições de outubro, revela que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto tanto no primeiro quanto no segundo turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL) surge em segundo lugar, mas enfrenta um momento de fragilidade, segundo a análise do diretor da Quaest, Felipe Nunes.

Liderança de Lula e desempenho de Flávio Bolsonaro

No primeiro turno, Lula atinge 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 28%. Outros pré-candidatos, como Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), têm 4% e 3%, respectivamente. Em comparação com a pesquisa de junho, Lula subiu de 39% para 40%, e Flávio Bolsonaro passou de 29% para 28%.

No segundo turno, Lula apresenta 45% das intenções, contra 37% de Flávio, uma diferença que cresceu de seis para oito pontos percentuais desde o levantamento anterior. O petista também se mostraria competitivo em cenários contra Caiado e Renan, onde venceria.

Aprovação do governo e fatores econômicos

Outro ponto relevante da pesquisa é que pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação do governo Lula supera a desaprovação, com 48% dos entrevistados aprovando a gestão e 47% desaprovando. Essa mudança é atribuída à melhora na percepção da economia, com fatores como o programa Desenrola, que visa a renegociação de dívidas, e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Felipe Nunes destacou que 66% dos entrevistados estão cientes do programa e 55% acreditam que é uma boa iniciativa. Além disso, 69% apoiam a proposta de redução da jornada de trabalho, que visa melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

Impactos da briga familiar e do caso Master

Flávio Bolsonaro enfrenta desafios significativos em sua pré-campanha, especialmente após a revelação de sua conexão com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Desde maio, a confiança dos eleitores de direita não bolsonaristas em Flávio caiu de 74% para 54%. A recente disputa pública com Michelle Bolsonaro também parece ter afetado negativamente sua imagem, com 42% dos entrevistados apoiando a madrasta em sua declaração de humilhação.

Além disso, a pesquisa aborda a operação da Polícia Federal envolvendo o senador Jaques Wagner, que pode impactar a campanha de reeleição de Lula. Para 62% dos entrevistados, a operação é vista como prejudicial ao ex-presidente, com 37% considerando o impacto muito negativo.

Esses dados apontam para um cenário eleitoral dinâmico e repleto de desafios tanto para Lula quanto para Flávio Bolsonaro, em um contexto político complexo e em constante evolução.