A polícia da Irlanda do Norte anunciou na quinta-feira, 10 de julho de 2026, que está investigando um "crime motivado por ódio" após a colocação de um modelo de mesquita em uma fogueira lealista na cidade de Moygashel, no condado de Tyrone. A réplica da mesquita, acompanhada das palavras em árabe "fascismo islâmico", gerou forte condenação de partidos políticos, líderes religiosos e grupos de direitos humanos.

A Polícia do Serviço da Irlanda do Norte (PSNI) informou que um homem de 56 anos foi preso na manhã de quinta-feira e permanece sob custódia enquanto as autoridades continuam a "avaliar a situação". Cartazes com mensagens como "Protejam nossas fronteiras" e "Acabem com a ameaça do islamismo radical" também foram vistos na fogueira, que será acesa na noite de sexta-feira, 11 de julho, em comemoração à "Noite do Décimo Primeiro" e aos desfiles programados para o "Décimo Segundo" de julho.

Fogueiras lealistas: uma tradição controversa

As fogueiras lealistas na Irlanda do Norte são uma tradição que remonta à Revolução Gloriosa de 1688, quando o rei protestante William III de Orange depôs o rei católico James II da Inglaterra e, subsequentemente, venceu a Batalha do Boyne em 1690, na atual República da Irlanda. A comunidade protestante da região defende sua permanência no Reino Unido e se opõe à unificação irlandesa.

Embora a maioria das fogueiras da "Noite do Décimo Primeiro" ocorra sem incidentes, algumas vezes símbolos católicos e republicanos irlandeses, como bandeiras irlandesas e efígies religiosas, são queimados, gerando controvérsias sectárias. Nos últimos anos, símbolos anti-imigração também têm aparecido, como em Moygashel no ano passado, onde políticos condenaram a queima de efígies de migrantes em um barco, acompanhadas de um cartaz com a frase "Pare os barcos", que se tornou um grito de guerra para a oposição à imigração no Reino Unido.

Reações e condenações

A controvérsia deste ano ocorre semanas após a Irlanda do Norte ter sido abalada por violentos distúrbios anti-imigração, principalmente em áreas pró-britânicas, após um ataque com faca por um solicitante de asilo sudanês. Os organizadores da fogueira, a Moygashel Bonfire Association, afirmaram que a réplica da mesquita foi um ato de "protesto político" contra a "imigração ilegal incontrolável", enfatizando que não visavam qualquer indivíduo, mas sim a ideologia e a política governamental.

Em contrapartida, o Secretário da Irlanda do Norte, Hilary Benn, classificou a inclusão da réplica da mesquita como um "ato de intimidação repugnante e covarde", afirmando que "isso não é sobre tradição e de forma alguma representa a vasta maioria das pessoas na Irlanda do Norte". A Anistia Internacional também condenou a ação, descrevendo-a como uma "exibição vil" e uma "tentativa clara de incitar o ódio anti-muçulmano".

Arcebispos locais, tanto protestantes quanto católicos, emitiram uma declaração conjunta considerando o ato "extremamente ofensivo" e pediram compaixão em relação a pessoas de outras religiões. Politicos unionistas, por sua vez, defenderam que a comunidade tem o direito de celebrar suas tradições, mas ressaltaram que isso deve ocorrer de maneira legal e pacífica.