A Polícia Civil do Piauí está investigando se a técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha, detida após tentar levar uma recém-nascida da Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, teve a ajuda de outras pessoas na execução do crime. Até o momento, 11 depoimentos foram coletados no inquérito, que é conduzido pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

No último domingo (12), a situação ganhou notoriedade quando o programa Fantástico exibiu imagens das câmeras de segurança da maternidade, mostrando Auricélia circulando pelo local e colocando a bebê dentro de uma bolsa. A tentativa de sequestro foi frustrada quando a tia da criança desconfiou da situação e encontrou a recém-nascida dentro da bolsa, impedindo a fuga da suspeita.

Investigações em andamento

O inquérito ainda não tem previsão para ser concluído, mas a principal linha de investigação é determinar se houve colaboração de terceiros no planejamento ou na execução da ação criminosa. Até o momento, essa hipótese não foi confirmada pela polícia.

Além disso, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Teresina divulgou uma nota afirmando que Auricélia nunca fez parte de sua equipe, apesar de ter sido fotografada usando uma farda da instituição durante sua cerimônia de formatura. O órgão esclareceu que as imagens não indicam qualquer vínculo empregatício.

Defesa e condição mental da suspeita

A defesa de Auricélia manifestou a intenção de solicitar a revogação da prisão preventiva e, se necessário, impetrar um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Piauí. Os advogados alegam que a técnica foi diagnosticada com transtorno psicótico agudo polimorfo, apresentando comprometimento na compreensão dos fatos. Segundo a defesa, ela faz uso de medicamentos psiquiátricos e deve receber tratamento adequado.

Em contrapartida, o delegado responsável pela investigação afirmou que, até o momento, não há indícios que justifiquem a alegação de insanidade mental que possa afastar a responsabilidade penal de Auricélia. Durante os depoimentos, a técnica de enfermagem optou por permanecer em silêncio.

Em sua residência, a polícia encontrou um quarto preparado para receber um bebê, com fraldas, roupas, banheira e berço. Parentes acreditavam que Auricélia estava grávida, embora ela não tenha apresentado exames que comprovassem a gestação.

A tia da recém-nascida, Daniela Beatriz, relatou que a suspeita se apresentou como enfermeira e se ofereceu para levar a bebê para realizar testes essenciais antes da alta médica. Daniela descreveu a situação como suspeita desde o início, o que a levou a agir rapidamente ao perceber a criança dentro da bolsa.