O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), reconheceu falhas nas ações do município relacionadas ao caso de um missionário americano que foi preso após confessar ter agredido seu filho de três anos. A prisão preventiva do homem foi decretada após a criança ser hospitalizada em estado gravíssimo.
Reconhecimento de falhas
Bortoletti declarou em entrevista à Rádio Gaúcha que, desde o início do caso, ficou claro que houve uma falha do Estado. Ele revelou que, em novembro de 2025, uma unidade de saúde local identificou hematomas na criança e relatou a situação à rede de assistência, que inclui as secretarias de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social. A família passou a ser acompanhada a partir desse momento, com a participação do Conselho Tutelar.
“Uma criança de 3 anos jamais pode chegar a esse estágio. Eu me responsabilizo como prefeito”, afirmou Bortoletti, enfatizando a necessidade de reorganizar o sistema de assistência social da cidade. Ele mencionou que, desde a identificação dos hematomas, foram realizados sete encontros com a família no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
Detalhes do caso de agressão
O missionário de 33 anos confessou ter espancado o filho em resposta à falta de cumprimento de uma saudação matinal, segundo a Polícia Civil. O incidente ocorreu na manhã de domingo (5), na residência da família, localizada na área rural de Águas Claras. A criança, que foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS) em Porto Alegre, apresentava lesões graves, incluindo socos no peito e abdômen e ferimentos na cabeça.
A mãe da criança não testemunhou a agressão, mas após o ocorrido, o pai levou o menino até ela, e juntos foram ao Hospital de Viamão. A Polícia Civil está investigando um histórico de violência familiar, com indícios de que o homem já havia demonstrado comportamento agressivo em outras ocasiões.
A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pela investigação, solicitou medidas de proteção para as crianças, com base na Lei Henry Borel, e as encaminhou para perícia para verificar se também foram vítimas de maus-tratos. O casal possui outros filhos, que estão sob proteção em um abrigo.
Bortoletti também mencionou que há registros de agressões em outras cidades onde a família viveu antes de se estabelecer em Viamão. Ele determinou a abertura de uma sindicância para apurar os fatos e identificar responsabilidades no caso, ressaltando a necessidade de uma resposta mais rápida e eficaz do sistema de assistência social.
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