A gripe aviária H5N1 foi confirmada pela primeira vez na Nova Zelândia, levando a um estado de alerta sobre a possibilidade de extinção de algumas das aves nativas mais queridas e vulneráveis do país. A confirmação ocorreu após a coleta de um skua marinho marrom, que testou positivo na quarta-feira, 10 de julho, na praia de Petone, em Wellington, conforme relatado pelo ministro da biosegurança, Andrew Hoggard.
Impacto potencial no ecossistema
No contexto da Nova Zelândia, onde as aves têm um papel cultural e ecológico significativo, a chegada do vírus pode ter consequências devastadoras. O país já se preparava para essa possibilidade, com um programa de vacinação em andamento para cinco espécies de aves ameaçadas em programas de reprodução em cativeiro, incluindo o kākāpō e o takahē. O ministério das indústrias primárias informou que possui um programa de vigilância bem estabelecido que abrange santuários de vida selvagem, zoológicos, a indústria avícola, veterinários e a comunidade.
James Russell, professor de biologia da conservação na Universidade de Auckland, destacou que a gripe aviária representa uma ameaça indesejada para as espécies de aves que já enfrentam múltiplas pressões. "No final, pouco podemos fazer para impedir que esse vírus impacte nossas populações de aves selvagens, mas, por meio de ações significativas que reduzam outras pressões, podemos preparar nossas populações de aves para se recuperarem após a passagem do vírus", afirmou Russell.
Medidas de prevenção e vigilância
Embora Hoggard tenha assegurado que não há evidências de mortalidade em massa na vida selvagem ou de transmissão entre aves selvagens na Nova Zelândia, ele pediu à população que permaneça atenta. "Estamos continuando a agir rapidamente e a nos preparar cuidadosamente, enquanto pedimos à comunidade que se mantenha vigilante e reporte três ou mais aves doentes ou mortas em um grupo para a linha direta de pragas e doenças", disse o ministro.
A gripe aviária, que começou na Ásia, tem se espalhado pela Europa e pelas Américas desde 2021, chegando à Antártica durante o verão de 2023-24. A Austrália registrou seus primeiros casos confirmados no continente no início de julho. O vírus já matou milhões de aves em todo o mundo e, em algumas regiões, reduziu as populações de aves em 75%. Os sinais da doença incluem fraqueza, convulsões, torção da cabeça e dificuldades respiratórias.
De acordo com Jemma Geoghegan, virologista da Universidade de Otago, a Nova Zelândia possui uma vantagem, pois "não está enfrentando isso de olhos vendados". A especialista ressaltou que o país pode se beneficiar de anos de experiência internacional, incluindo a resposta recente da Austrália, para guiar a vigilância, monitoramento da vida selvagem e gestão de surtos.
No entanto, Nigel French, professor de epidemiologia de doenças infecciosas e saúde pública na Universidade de Massey, alertou que o vírus representa uma "grande incógnita", pois nem todas as espécies são igualmente suscetíveis. Espécies que tendem a se reunir em grandes colônias, especialmente aves de praia e outras espécies de urubus, estão entre as mais ameaçadas, incluindo o gavião-fada, cuja população é de apenas 50 indivíduos.
Os mamíferos marinhos, como as focas-da-Nova-Zelândia, também estão em risco de contrair o vírus. "Isso pode ser realmente devastador para algumas de nossas espécies de aves taonga [preciosas] e para algumas das espécies nativas mais raras", concluiu French. Ele enfatizou a importância de a Nova Zelândia implementar todas as medidas possíveis de vacinação e contenção, dada a significativa relevância cultural das aves no país.
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