O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, revelou a intenção de criar um memorial nacional em homenagem às vítimas de um "genocídio cometido por nacionalistas ucranianos" durante a Segunda Guerra Mundial. O anúncio foi feito em 25 de junho, data que marca o aniversário do que a Polônia considera um "massacre" em Volhynia, uma região que, na época, fazia parte da Polônia ocupada pelos alemães e que atualmente integra a Ucrânia.

Segundo relatos, entre 1943 e 1945, cerca de 100.000 poloneses étnicos foram mortos pelo Exército Insurgente Ucraniano (UPA). Este episódio histórico é motivo de controvérsia entre Polônia e Ucrânia, uma vez que muitos ucranianos veem o UPA como heróis que lutaram pela independência contra a União Soviética, além de se oporem à ocupação nazista e à autoridade polonesa.

Conflito histórico e busca pela verdade

A relação entre Varsóvia e Kiev tem sido marcada por tensões ao longo das décadas, especialmente em torno desses eventos, que também resultaram na morte de até 10.000 civis ucranianos. Em seu discurso, Tusk enfatizou a importância da verdade, afirmando: "A verdade é nosso dever em relação às vítimas, mas também um caminho para superar um passado doloroso em prol de um futuro melhor". Ele acrescentou que "a memória não pode ser serva do ódio" e que a resposta ao nacionalismo não deve ser mais nacionalismo.

Tusk instou a Ucrânia a "abraçar essa verdade" se desejar um dia se juntar à União Europeia. O apelo ocorre em um momento delicado nas relações bilaterais, exacerbado pela decisão do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de homenagear uma unidade militar com o nome do UPA, o que levou à retirada da mais alta honraria do Estado polonês concedida a Zelensky.

Repercussões diplomáticas e solidariedade

O presidente polonês, Karol Nawrocki, justificou a decisão de retirar a honraria, mas destacou que essa controvérsia não afetaria o apoio da Polônia à Ucrânia, especialmente em um momento em que o país continua a enfrentar a invasão russa iniciada em 2022. Em resposta, três ex-presidentes ucranianos devolveram suas condecorações da Águia Branca em solidariedade a Zelensky.

Em um vídeo divulgado no mesmo dia, Zelensky afirmou que "representantes do Estado ucraniano participaram de orações conjuntas com representantes do Estado polonês" para homenagear as vítimas dos massacres de Volhynia. Ele ressaltou que "a Ucrânia está fazendo sua parte para estabelecer honestamente os fatos sobre os mortos naquela época" e reforçou a necessidade de união entre os dois países diante da ameaça comum representada pela Rússia.