Cerca de 200 mil cidadãos tomaram as ruas de Taipei, capital de Taiwan, no último sábado (25.jul.2026) em um protesto contra o governo de Lai Ching-te, do Partido Democrático Progressista (DPP). O motivo da manifestação foi um escândalo relacionado à contaminação de lotes de óleo de soja, que mobilizou a população em busca de responsabilidades.

Em julho, a Administração de Alimentos e Medicamentos de Taiwan (TFDA) revelou que uma fornecedora de óleo havia detectado níveis de benzopireno, uma substância altamente cancerígena, quatro vezes acima do limite legal. A investigação subsequente constatou que 1.300 toneladas de óleo contaminado haviam sido distribuídas para três fabricantes de alimentos.

A contaminação ocorreu entre abril e junho, e, após o alerta da TFDA, o governo precisou recolher diversos produtos que continham o óleo contaminado, incluindo molhos para salada, temperos e alimentos prontos. Mais de 1.300 estabelecimentos comerciais foram impactados pela situação.

O escândalo do óleo contaminado gerou grande repercussão em Taiwan e foi utilizado pela oposição, especialmente pelo Kuomintang (KMT), o maior partido opositor. Os críticos do governo apontaram a lentidão das investigações, que levaram quase um mês para identificar a origem da contaminação. Além disso, alegaram que o governo tentou ocultar informações sobre as empresas e produtos afetados.

Protesto e suas implicações políticas

Com o lema “Sou contra o envenenamento de Taiwan”, o KMT organizou o protesto que ocorreu em frente à residência oficial de Lai Ching-te, exigindo um pedido de desculpas público e a demissão do primeiro-ministro Cho Jung-tai. A ausência do primeiro-ministro em meio a um número tão expressivo de manifestantes, descritos pela mídia local como “surpreendentes”, foi interpretada pela oposição como uma vitória.

Esse protesto acontece em um período crítico para a política de Taiwan, já que as eleições regionais estão agendadas para 28 de novembro deste ano. Se o KMT conseguir desgastar a popularidade do DPP nos próximos meses e conquistar prefeituras, suas chances de retornar ao poder nas eleições presidenciais de 2028 aumentam consideravelmente.

Entre os líderes que se destacaram no protesto está o prefeito de Taipei, Chiang Wan-an (KMT), que discursou para uma multidão significativa, o que pode impulsionar sua candidatura nas próximas eleições presidenciais.

Além de suas implicações internas, o protesto pode afetar a relação entre Taiwan e China. O KMT tem flertado com a China nos últimos meses, incluindo uma visita da presidente do KMT, Cheng Li-wun, a Pequim, onde se encontrou com o presidente Xi Jinping. Este encontro, considerado raro, demonstra a estratégia do KMT de se opor à postura hostil do DPP em relação ao regime comunista chinês.